quarta-feira, 18 de abril de 2012

O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald

Editora: Publicações Europa-América
Ano de Publicação: 2011
Nº de Páginas: 168
Um dos maiores escritores americanos do século XX. É com esta frase que muitos pedagogos literários apelidam F. Scott Fitzgerald. O terceiro e o mais significativo dos seus romances The Great Gatsby (título original) foi escrito nos loucos anos 20, mais precisamente em 1925.
Comecemos pelo título: Gatsby. Interrogações, interrogações. É o antropónimo do homem ou a alcunha do veículo que vem no frontispício do livro? Ou um outro desígnio qualquer? Interrogações, interrogações.
Logo no preâmbulo, somos confrontados com uma frase/ ultimato – do pai do narrador - de tamanha grandeza: «De cada vez que te apetecer criticar alguém […] lembra-te sempre que nem toda a gente neste mundo gozou algum dia das vantagens que tu tens tido.»
Folheia-se muito vagarmente as primeiras páginas em concentração, para deixar não escapar nenhum pormenor descritivo que o personagem Nick Carraway (e narrador) dá-nos a conhecer. É ele que descortina ao leitor o mundo de Gatsby - Jay Gatsby -, um vizinho seu de índole sui generis, que exibe a sua melomania em festas esplendorosas no seu casario e convidando um sem fim de pessoas. Esses convivas pouco conhecem e avistam do anfitrião, pois este não gosta de festas. Misterioso este Sr. Gatsby, não? É um ser melómano, mas ao inverso. Expõe a sua riqueza (monetária) não para atrair os «lambe-botas», mas para tentar a sorte de ser ele próprio o bajulador do amor duma mulher que nunca aparece a essas mesmas festas. Gabsty é infeliz e sofre há imensos anos esse amor não correspondido/perdido pelas vicissitudes da vida.
Nick é primo de Tom e Daisy - um casal que não esconde as abjectas idiossincrasias conjugais -, e é ele que serve de elo comum, dando-se a (re)conhecer os primos ao seu estranho vizinho, que a meia história andada, é já seu amigo e até confidente.
Estes e todos os restantes personagens, desempenham e simbolizam um papel fulcral para o entendimento do desenvolvimento da história, onde o ciúme, a infidelidade, a concupiscência, a vingança , o auspício e morte jogam em simultâneo.
Numa época em que imperava moda e excesso, ambição e frivolidade, este romance serve precisamente como reflexão crítica dessa sociedade vigente. A capacidade de Fitzgerald para definir uma cena escolhendo palavras únicas e grandíloquas, é um marco de um autor sem paralelo.
O Grande Gatsby é um daqueles livros excelsus, que lemos e anseia-se por crescer para o reler novamente.
Quando cessamos um livro e temos a curiosidade de pesquisar o curriculum vitae do autor, é sinal que este acrescentou algo mais à nossa vida, através do fio condutor que é a palavra. Ora, foi essa acção que segui e concluo que é, irredutivelmente notório o paralelismo entre o não-ficcional Fitzgerald e o ficcional George Wilson – ambos corrompidos pelo ciúme e desprezo da amada infiel. Zelda (mulher do escritor) e Myrtle (mulher de George Wilson na história), a personagem frívola, mimada e infiel – ambas também figuras da alta sociedade. Daisy e Gatsby poderiam muito bem sido fruto de inspiração real de Fitzgerald, nos papeis de mulher adúltera e homem que vê o seu amor fugir.
Facto também peremptório é o espaço temporal: a eufórica década 20, do século XX.
Como curiosidade, é sabido que uma nova adaptação à tela deste Clássico foi já rodada, contando com Leonardo DiCaprio no papel de Gatsby. Está prevista a sua estreia ainda no decorrer deste ano.

10 comentários:

tonsdeazul disse...

Esta obra de Fitzgerald é genial!
Sou das que aguarda com alguma ansiedade esta nova adaptação ao grande écran. ;)

Carriço disse...

Clássico que aguarda oportunidade. A tua opinião reforça-lhe o estatuto.
Abraço

Teté disse...

Nunca li, mas tenho de ler. Nem nunca vi o filme, pelo que hei de começar pelo livro, que normalmente prefiro. O DiCaprio terá de esperar melhor oportunidade... :)

Anónimo disse...

Que brilhante opiniao. Li ESTE livro a muito tempo e é sim muito bom como descreve.

Abraço e continuação de bom trabalho.

Alberto

teresa dias disse...

Olá Miguel,
Excelente o seu texto sobre um óptimo romance dum escritor maior.
Já li o livro há algum tempo mas não esqueci nenhuma das personagens. Adorei!

helena frontini disse...

Um clássico incontornável.

Cris Valmont disse...

Olá,

Vim agradecer sua visita ao meu blog e tive uma grata surpresa com o seu... Gostei muito dos posts, parabéns!

Abraços e um otimo fim de semana.

Camila... disse...

Olá Miguel....vim aqui conferir seu post do "Grande Gatsby".
Adorei a visão que você teve deste grande livro. É ótima essa troca de informações, assim ampliamos nossos horizontes...continue me visitando...um abraço, Camila!

Marco Caetano disse...

Miguel,

Este é de facto um livro muito interessante. Passa-se numa era que deve ter sido no mínimo hilariante. Tive oportunidade de o ler há bem pouco tempo e adorei!

Continuação de boas letras...

Miguel Pestana disse...

Olá mARCO,

Sim, eu já tinha lido a tua opinião do livro, tempos antes de ler.
Confirmo que sim, é um optimo livro. Muito especial.

Abraço