segunda-feira, 10 de setembro de 2012

A Arte de Caminhar, de Henry David Thoreau

Editora: Padrões Culturais
Ano de Publicação: 2011
Nº de Páginas: 104

Cerca de um mês após a morte de Henry David Thoreau (1817-1862), foi publicado pela primeira vez o texto que compõe A Arte de Caminhar. A sua obra foi, à excepção de dois títulos impressos, publicada postumamente. Thoreau deixou vários manuscritos incompletos, muitos deles escritos nos dois anos em que se isolou, por decisão voluntária, do círculo social e cosmopolita e foi viver para uma floresta, perto do lago Walden (Massachusetts, EUA), construindo ele próprio um reduzido habitáculo e cultivando uma pequena parcela de terra, sendo o fruto desse trabalho o seu único meio de subsistir.
Segundo suas próprias palavras, ele foi morar na floresta porque queria «viver deliberadamente» e se «defrontar apenas com os factos essenciais da existência, em vez de descobrir, à hora da morte, que não tinha vivido».
Neste livro, escrito na primeira pessoa do singular, o poeta dá-nos uma “aula-viva” sobre os benefícios não só físicos, mas espirituais, que o acto de andar a pé proporciona: «(…) cada caminhada é uma espécie de cruzada (…) Acho que não consigo preservar a minha saúde e o meu espírito se não passar quatro horas por dia (…) vagueando através dos bosques (…)» (p. 17)
Thoreau era um andarilho, não um desportista ((…) «a caminhada a que me refiro nada tem a ver com a prática de exercício (…)» (p. 23)) que praticava a caminhada, como terapêutica natural e era um observador nato e exímio da natureza, da fauna e flora, desde que estas permanecessem em estado «selvagem».
Thoreau era um naturalista e aprendeu – tal como Théodore Rousseau e Émile Zola (pintor e escritor mais representantes do Naturalismo, respectivamente) – a vantagem da vida natural, livre.
A Arte de Caminhar é um texto fundamental para o mais sedentário dos leitores, que comprovará a arte escrita e simples de um escritor ecologista, humanista, libertário e pacifista, que inspirou a vida de personalidades como Ghandi, Martin Luther King, Jr. e Tolstoi.
Algumas citações do livro:
«O que é que torna tão difícil às vezes decidirmos para onde vamos caminhar? (…) Não nos é indiferente para onde caminhamos, pois existe um caminho certo; mas devido ao nosso descuido e por vezes à nossa estupidez, assumimos na maior parte das vezes o pior caminho.» (pp. 35-36)
«Acredito cada vez mais na floresta e nos campos e na noite que faz as sementes crescerem.» (p .50)
«A saúde de um homem necessita de tantos hectares de campos ou prados no seu horizonte quanto a sua herdade necessita de carradas de estrume.» (p. 56)
«Na literatura o que nos atrai é o que é selvagem. O tédio é apenas um sinónimo de domado.» (p. 60)
«Um livro quando é realmente bom, é algo tão natural, inesperado e inexplicavelmente belo e perfeito, como uma flor selvagem descoberta (…) nas selvas do oriente.» (p. 61)

1 comentário:

Marcelo Rodrigues disse...

Realmente o teu comentário ao livro incentivou-me a andar mais...

parece ser interessante o livro