terça-feira, 4 de setembro de 2012

O Cavalo Amarelo, de Agatha Christie

Editora: ASA
Ano de Publicação: 2012
Nº de Páginas: 256

O Cavalo Amarelo é o título número 73 da colecção Obras de Agatha Christie, que desde 2001 a ASA tem vindo a publicar. Neste romance policial, o tema central abordado pela autora difere da extrema maioria dos seus livros, excepto (salvo erro) no livro O Mistério de Sittaford (já publicado nesta colecção).
Somos surpreendidos ao longo da trama com uma abordagem a temas como o hipnotismo, psiquismo, rituais e cânticos esotéricos. A magia negra é, não só, aliciada para a história, como o tom narrativo que Agatha utiliza para conta-la.
Um breve epítome: um padre é assassinado violentamente, logo após ter visitado uma mulher enferma, nos seus últimos minutos de vida. Ela tinha entregado ao padre, uma série de nomes rabiscados num papel e por o padre estar na posse dessa “prova”, terá sido morto. É então que Mark Easterbrook, com o apoio de Ginger Corrigan e de Ariadne Oliver, descobrem que cada pessoa mencionada no papel da mulher falecida, estão a ser vítimas de mortes (aparentemente) naturais…ou sobrenaturais.
Mark Easterbrook é escritor, mas a inspiração para escrever não lhe aparece, e para se distrair, resolve investigar os mistérios das mortes em série. É então que alguém lhe fala do “Cavalo Amarelo”, e das feiticeiras Bella, Thyrza e Sybil, da aldeia.
Em torno desta trama, o suspense é misturado com o componente esotérico e nesta amálgama, somos induzidos a crer na veracidade da intriga, que uma autora experiente teceu. Todavia, por o estilo de escrita ser diferente do habitual de Agatha Christie, a leitura difere e damos foco aos pormenores, a passagens narrativas com abordagem ao mundo espírita, tal como as seguintes:
«Como todos os seres humanos, o seu objectivo na vida está na direcção da morte. Não há satisfação final para além da morte. Só a morte resolve todos os problemas. Só a morte proporciona a paz verdadeira (…) Amor e morte. Amor e morte. Mas dos dois, o mais grandioso é a morte…» (p. 180)

«O ponto fraco…há sempre um ponto fraco…nas profundezas da carne…da fraqueza vem a força, a força e a paz da morte… Em direcção à morte, lentamente, naturalmente, em direcção à morte, o caminho verdadeiro, o caminho natural. O corpo obedece à mente…ordena-lhes, ordena-lhe, que vão em direcção à morte…a morte, a conquistadora…Morte…em breve…muito em breve…Morte…Morte…MORTE!» (p. 181)
Uma nota para que não se confunda que este é um policial de temática mística e não do fantástico. A história é plausível e a fasquia em torno dela é alta (como sempre), mas somos positivamente e surpreendentemente enganados (como sempre).
The Pale Horse, de seu título original, foi publicado em 1961 e, como a maioria das obras da autora, adaptado para a televisão.

2 comentários:

Anónimo disse...

Fiquei com imensa curiosidade em ler o livro, pois sou fã de policiais e temas espirituais.

Da agatha ja li uns 3 ou 4.

Marcelo Rodrigues disse...

Gosto deste tipo de policiais, mas principalmnet gosto da autora. a rainha do crime!