sábado, 29 de dezembro de 2012

«Diário de um homem de 50 anos», de Henry James

Editora: Palimpsesto
Ano de Publicação: 2008
Nº de Páginas: 80

O tempo de acção desta história contada por Henry James, através dos escritos contidos no diário do narrador e protagonista, passa-se entre 1874 e 1977, com as cidades de Florença, Bolonha, Paris e Londres a surgir em pano de fundo. O diário tem como incipit: «Disseram-me que acharia a Itália completamente mudada; e em vinte e sete anos há espaço para mudanças. Mas para mim está tudo perfeitamente inalterado que me parece que estou a viver de novo a minha juventude.» (p. 7)
A nostalgia é o primeiro sentimento que apodera-se do protagonista, pois este decide reviver o seu passado – feliz – na cidade toscana em que vivenciou uma grande paixão, a maior de todas, ou a única. Um amor que foi fracassado, mas nunca esquecido, mesmo volvidos tantos anos, durante os quais ele trabalhou arduamente, viajou muito, e certamente que manteve-se ocupado para não pensar no «estilhaço» amoroso por que passou, por que passa, ainda. Este ex-militar de aparência «grisalho e gasto», ao chegar a Florença depara-se com um clone da sua tão lembrada amada; no seu pensamento explodem reminiscências, mágoas, mas também lembranças alegres, de momentos únicos de plena felicidade. A jovem apresenta-se como a filha da mulher que amou, quando abordada na rua, nas margens do rio Arno (o mesmo local em que conheceu a mãe da jovem), pelo ex-militar e então ele conta-lhe o romance que foi os tempos que ele passou a sua falecida mãe, iniciando assim: «Cheguei há uma semana a Itália, onde passei seis meses quando tinha a sua idade.» (p. 18)
Ele é convidado a visitar a casa desta jovem – a casa em que outrora habitou – mas ele receia os «ecos» que nessa casa, nas paredes, nos móveis, etc. possa ouvir/sentir. Ele decide ir.
O leitor ao folhear as entradas seguintes do diário, terá conhecimento de outras recordações que ainda habitam a alma do homem com meio século de vida.
A história, por vezes, regride no tempo e dá-nos uma sensação de estamos vendo através dos olhos do homem de 50 anos, os seus arrependimentos e os breves momentos de felicidade por que passou. Por outras vezes estamos a reviver juntamente com o jovem que um dia ele foi, a sua efervescência de amante.
O livro foi escrito em 1879 (um ano após ter escrito a sua novela mais famosa: Daisy Miller), mas (ainda) mantém a sua mensagem de turbulência emocional, a sensação de vazio que os homens sentem quando confrontados com o fim de um(a história de) amor. Um livro curto, cujo final pouco explicativo, mas que nos deixa a reflectir sobre o impacto que exercem as relações humanas – neste caso as amorosas – e os sentimentos de perda e ganho adjacentes, sobre as pessoas e seus destinos.

2 comentários:

Marcia Lopes disse...

E de turbulência emocional, Henry James entende como ninguém não é mesmo? rs
Eu gostaria de ler mais livros dele, mas não encontro!
Bjs

* Edméia * disse...


*Nossa !!! O.O Vou ver se acho este livro na Livraria Saraiva em forma de e-book !!! Ultimamente, estou dando preferência aos livros em formato digital !!!