terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Os Descendentes, de Kaui Hart Hemmings

Editora: Editorial Presença
Ano de Publicação: 2012
Nº de Páginas: 304
É seguramente um livro que tem estado em foco nos últimos dias. Milhares de leitores terão um exemplar na sua cabeceira. Muitos deles serão cinéfilos, visto este romance ter sido adaptado ao grande ecrã; ter ganho um Globo de Ouro e (como se isso não bastasse) o filme estar nomeado para os Óscares deste ano, na categoria de melhor filme (entre outras). A autora é Kaui Hart Hemmings, e este, o seu segundo livro, publicado pela primeira vez em 2007.
O protagonista do romance é Matthew, um advogado workaholic abundantemente rico - por ser o último descendente de uma princesa hawaiana. Sempre foi um pai e marido ausente, causando o afastamento – físico e afectivo - das suas filhas Scottie e Alex e de Joanie, a mulher. Este homem tem uma família disfuncional, todavia é necessário um «abalo» para que o seu discernimento seja perceptível.
De um momento para o outro, ele vê-se forçado a tomar conta das filhas - indisciplinadas, revoltadas, desprezadas - quando a mulher sofre um acidente, que a deixa em contínuo estado inconsciente. Esta personagem é dada a conhecer ao leitor, através da perspectiva do marido, das filhas, dos amigos e a dos seus pais. É nesta altura que o leitor é confrontado com duas opções: ou acredita no ponto de vista desses personagens ou se põe na veste de Joanie - a única personagem que não pode se defender do que é dito sobre ela, tornando-a na peça fundamental deste enredo.
O tom dramático neste livro é traçado muito ao de leve por Kaui Hart Hemmings, escritora astuta. Não foi seu objectivo criar um melodrama envolto de um ambiente hospitalar, até porque - por oposição - temos o cenário paradisíaco do Hawai para lá da janela do quarto em que uma pessoa em coma permanece.
As emoções dos personagens não fluem celeremente, ao mesmo ritmo que a dor que eles sentem. Mas é Matthew que ao atravessar um momento difícil, descobre algo que o fará tomar uma decisão importante…
Os Descendentes sublinha o poder da redenção, de que o ser humano pode sempre mudar o rumo da sua vida, até porque nunca, nunca é tarde para recomeçar.

domingo, 29 de janeiro de 2012

O Conto do Vigário, de Fernando Pessoa

Editora: Centro Atlântico
Ano de Publicação: 2011
Nº de Páginas:40
Que Fernando Pessoa é um poeta intemporal, isso é de conhecimento geral. Que há livros que surgem em fases propícias – tendo em conta os temas políticos, sociais e económicos vigentes – também os há. Este pequeníssimo conto, escrito em 1926, é um deles. O título do conto é um adágio bem popular de todos. Mas de onde vem essa designação? Resposta: a origem de «O conto do vigário» é obra de Fernando Pessoa.

Alguns já foram vítimas, outros, protagonistas. Os vigários podem actuar por conta própria (os mais gananciosos) ou por conta de outrem (intermediários) e são habilidosos em persuadir as pessoas incautas (e não só) variadíssimas inverdades, com o intuito de lhes forjar dinheiro. Alguns são mesmo mitómanos. Directamente ou não, sobra sempre ao Zé-Povinho o seu quinhão a pagar e por vezes, camuflado em pequenas letrinhas – na hora de assinar um contrato - o conto prega-nos uma partida.


Mas falemos da narrativa. Manuel Peres Vigário, de seu nome, é um ribatejano de idade incerta - mas avançada - que vive do cultivo das terras que amanha.
«Chegou uma vez ao pé dele certo fabricante ilegal de notas falsas, e disse-lhe: Sr. Vigário, tenho aqui umas notazinhas de cem mil réis que me falta passar. O senhor quer?».
O Vigário rejeita a oferta e diz: «isso nem a cegos se passa». Depois de muita regatagem por parte de ambos, as notas falsas mudam de mãos. Uns dias mais tarde, nas mãos de outros não tardam a chegar. E quem é inocente, de um dia para outro, passa a ser rotulado de charlatão, burlão, chico-esperto, etc.

Em 1925 (um ano antes de Fernando Pessoa ter escrito este conto) um dos maiores vigaristas da história portuguesa e mundial, protagonizou um dos desfalques mais habilidosos de que há memória: Alves dos Reis (ver aqui). Um caso que serviu de inspiração para Pessoa, para escrever este conto? 


No conto, a moeda de troca era o real (o que reduzimos o espaço temporal a antes de 1911); na história de Alves dos Reis, a moeda era o escudo ($); hoje, a moeda é já outra (€), mas as vigarices continuam.
E quantos contos-do-vigário ainda estão por descobrir.
Este conto sendo verdadeiro, inventado ou inspirado, não tem como lhe tirar o brilharete. Fernando Pessoa, ontem, hoje e sempre - actual.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Filme: Sem Tempo (In Time) 2011

Trailer
Os filmes de ficção científica não fazem o meu género. Mesmo assim, tendo este In Time, como cabeças de cartaz Amanda Seyfried e Justin Timberlake – dois actores em crescente evolução e que tenho acompanhado – decidi tentar a sorte e fui ver o filme. Sair da sala de cinema antes que o filme acabasse era uma escolha que ia já ponderado. Uma coisa de que não faz sentido – para mim – é pagar para ser torturado. E não, não foi o sucedido.

O tempo é o personagem principal do filme. E o que estamos dispostos a fazer para não o perdermos, pois perdê-lo será a nossa sentença de morte. No filme o ser humano não envelhece. Chega aos 25 anos e o seu aspecto físico pára. As pessoas nascem com um relógio digital incorporado em seus braços, que lhes diz exactamente quanto tempo eles têm de vida. Aqueles que têm mais “tempo” são chamados os ricos de hoje. Aqueles com menos “tempo” são os pobres. É uma analogia simplista mas não deixa de ser complexa. 

Como gastar tempo? Fácil, muito fácil. Um café custa dez minutos; uma t-shirt custa uma hora; um carro custa dois anos. O consumismo está bem apelativo como uma das mensagens que passam da tela. Apelar o espectador a fazer uma introspecção e ver como gere o seu tempo, é outra mensagem. Imagine que você tinha um tempo limitado na sua vida, o que faria, hein?
O filme realmente dá que pensar, mexe com temas como a vida e a morte.
"In Time" tem um conceito muito interessante e promissor, mas nota-se um défice de unificar a trama num todo. Há cenas que parecem estar em falta algo.
O conceito global do filme deixa-nos a pensar como seria possível vivermos num mundo assim, onde Time is Money.


Tenho vindo a ficar cada vez mais impressionado com a prestação do Justin Timberlake no mundo da sétima arte. Teve um desempenho muito interessante no filme “A Rede Social” e em “Amigos Coloridos”.
Quando acaba-se de ver o filme parece que os ponteiros do nosso relógio muda de direcção.
Filme recomendado. Vale a pena perder o seu tempo!

Novidades Livros Horizonte (Divulgação)

Convites Esfera do Caos (Divulgação)

Informações sobre o livro

Informações sobre o livro

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Passatempo: Pack 2 Livros de Graham Joyce

O blogue em parceria com a Bizâncio tem para oferecer o seguinte Pack de 2 Livros:
«Amizades Improváveis» e «Memórias de um Mestre Falsário» do autor Graham Joyce.
O passatempo decorrerá até às 23h59 de 31 de Janeiro.
Sobre o Autor:
Nasceu nas proximidades de Conventry, originário de uma família de mineiros, e vive actualmente em Leicester. Para além da sua actividade como escritor, com inúmeros títulos publicados e traduzidos em variadíssimas línguas, dá aulas de Escrita Criativa na Universidade de Nottingham Trent. Ganhou já por quatro vezes o British Fantasy Award e foi o vencedor, com o romance, Os Factos da Vida, do prestigiado World Fantasy Award.

Para participar, só tens de ser seguidor do blogue e responder acertadamente ao formulário seguinte, e esperar seres o feliz contemplado.




Regras do Passatempo:
1) O passatempo decorrerá entre os dias mencionados, sendo exclusivo a participantes residentes em Portugal (Continental e Ilhas);
2) Será validado exclusivamente as participações com as respostas acertadas e será aceite apenas uma participação por pessoa ou email;
3) O vencedor será sorteado aleatoriamente através do Random.org e o seu nome publicado aqui no blogue, além de ser comunicado ao mesmo via e-mail.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O Livro das Tentações, de Oscar wilde

Editora: Coisas de Ler
Ano de Publicação: 2008
Nº de Páginas:136
O autor dispensa apresentações. No entanto, estrago não faz (re)lembrar que Oscar Fingal O'Flahertie Wills Wilde, mais conhecido por Oscar Wilde nasceu em 1854 na Irlanda.
O livro é uma tentação, na real interpretação da palavra. Contém variadíssimos – os mais notórios - excertos de Oscar Wilde, retiradas de algumas das suas obras, como: O Retrato de Dorian Gray; Uma Mulher Sem Importância; A Decadência da Mentira; O Fantasma de Canterville; Salomé

O conjunto de citações está distribuído por doze partes/temáticas, para melhor consulta do leitor, aquando da sua leitura e para as consultas posteriores, porque será com certeza um livro a ser bastante folheado.  São inúmeras as citações que poderão ser “roubadas” e utilizadas, para por exemplo surpreender um amigo, mandando-as por correio electrónico, por SMS, ou mesmo – e até melhor – decorar alguma frase do génio Wilde e esperar a melhor oportunidade para deixar os seus amigos a roerem-se de inveja pela sua perspicácia. Têm as seguintes como exemplos: «Que pena que na vida só tenhamos as lições quando já não nos servem para nada»; «Só existe uma coisa pior do que falarem de nós: É não falarem»; «Os jovens querem ser fieis e não são; os velhos querem ser infiéis e não podem»; «Se uma pessoa contar a verdade, é sabido que mais cedo ou mais tarde, vai ser descoberta».

Para quem nunca se atreveu a ler nenhum livro deste sagaz e irónico autor, este será uma excelente iniciação ao seu mundo. Esperar-vos-á excertos ousados, realistas, filosóficos, sem tabus, perspicazes, da obra Oscariana/Wildeana, entendida como controversa. As ilustrações e escrita a cor sépia fazem toda a diferença, enquanto vamos virando as páginas e torna-o ainda mais apetecível a ser consultado.

Após o término da leitura, a mão ficou cansada de estar em constante posição para o sublinho e o lápis que inicialmente estava bem afiado, chegou ao fim decrescido e desafiado, tanto o carvão que desvaneceu-se por entre as páginas.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Filme: O Capitão Corelli (Captain Corelli's Mandolin) 2001

Trailer




«Quando nos apaixonamos é como uma insanidade temporária.
Irrompe como um terramoto e depois abranda.
E quando abranda, temos de tomar uma decisão.»

Susanna Tamaro em Portugal! (Divulgação)

A minha recensão do último livro da autora «Para Sempre» aqui



Todos os livros de Susanna Tamaro podem ser consultados no sítio da Editorial Presença.

Novidades ESFERA DO CAOS (Divulgação)

Título: VERDES ANOS
Aotor: LUÍS HUMBERTO TEIXEIRA

Melancias, abóboras, pimentinhas... Muitos têm sido os nomes dados aos ecologistas em Portugal. Colocados à margem, o seu percurso tem sido pouco estudado, não obstante estarmos num dos países onde a intervenção de ambientalistas e ecologistas na esfera pública revela maior eficácia prática.Este livro aborda as origens, a evolução e as dinâmicas dos três partidos ecologistas existentes (PEV, MPT e PAN), os projectos políticos verdes que não germinaram e a acção de personalidades e grupos que têm defendido a causa ambiental junto da sociedade civil ou do Estado.
Recuando até às origens da defesa do ambiente em Portugal, esta obra, que percorre mais de seis décadas, oferece-nos um enquadramento internacional das ideias ecologistas e da evolução dos partidos verdes na Europa Ocidental e permite-nos conhecer melhor os principais partidos e associações ecologistas portugueses. Fruto de uma rigorosa pesquisa documental e de quase três dezenas de entrevistas a algumas das principais figuras do ecologismo no nosso país, o livro revela também algumas das estratégias de diversas forças políticas para se adaptarem à emergência do ideário verde.

Mais informações sobre o autor aqui.

Novidades Papiro Editora (Divulgação)

Título: HOJE LEMBREI-ME QUE TE AMO
Autor: MIGUEL NOVO

Este pequeno mas inquietante livro fala-nos de amor, de angústia, de desespero, revela-nos os mais extremos polos do amor que são sempre negativos, porque extremados ao expoente máximo da loucura. De repente, quem assina as cartas são outras personagens que podem muito bem ser os heterónimos de Fernando Pessoa, como uma defesa que Bartolomeu usa para não assumir que está a cair, a morrer de amor aos poucos por causa de Maria Alice.
Devo chamar a atenção para a simbologia do número três: São três as personagens; as cartas são todas escritas ao dia três de cada mês. Miguel Novo é um jovem escritor que está a lançar o seu segundo livro. Não podemos definir ainda nenhum estilo literário, mas a magia de se ler com surpresa algo que se situa entre a poesia e a prosa, acaba por lhe dar uma virgindade puríssima, que outros autores, por força dos hábitos que criam, não conseguem mais repetir. Há uma contemporaneidade que se lê a todo o instante, como também um viajar ao modernismo de Pessoa, de Sá Carneiro ou outra ainda a uma Atenas clássica onde Platão também está presente. O texto de Miguel Novo é, coerentemente, o texto mais incoerente sem nunca perder o sentido. Poderia dizer que são viagens em palavras, mas isso seria muito redutor. Há uma explosão de sentimentos que rasgam as palavras, saem delas, fogem e espalham-se de tal forma, que nunca mais são as mesmas. Há uma confusão que não é mais do que um espelho do que podemos sentir, e quando amamos alguém o sentido não faz sentido absolutamente nenhum. Há uma frescura em cada frase e a certeza de que estamos a ler o que nos é inevitavelmente familiar.

Mais novidades da Papiro aqui: blogdapapiroeditora.blogspot.com

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Filme: As Serviçais (The Help) 2011

Trailer
A recém formada e estóica-rabugenta-emancipada jornalista Skeeter (Emma Stone) e duas empregadas negras, Aibileen (Viola Davis) e Minny (Octavia Spencer) são o trio de protagonistas da história e do filme.
Tudo tem início com a decisão de Skeeter de escrever um livro sobre o racismo, que tendeu a crescer, desde os anos que esteve ausente a estudar. Perante a sua incredulidade em aceitar fazer parte dos costumes desumanos da sociedade em que vive, ela convence Aibileen, a empregada de uma sua amiga, a ajudá-la a por em papel as tamanhas injustiças a que ela foi e continua sendo vítima, por causa da cor da sua pele. Não tarda a que outras empregadas domésticas em segredo também ditem os seus infortúnios.
Estas serviçais vivem com medo das suas patronas, mulheres imaturas, egoístas, preconceituosas, doentes, que as humilham e riem delas á frente das suas fúteis amigas, também ególatras e desesperadas. 
Mulheres maduras – em idade – que despedem as empregadas domésticas, porque estas, sem culpa, as deixaram mal vistas, aos olhos das suas amigas. Se estas mulheres tratam as suas empregadas desrespeitosamente, o mesmo acontece com os seus rebentos, os filhos. Elas apenas ensinam as crianças a não usar a mesma casa de banho que as empregadas de cor. 

As serviçais são as educadoras, as amas carinhosas, atenciosas, que sustentam as crianças com o seu amor contínuo e condescendente. Quando Minny segura e olha a “sua” menina e sussurra: “You are beautiful. You are strong. You are important”, é uma das partes mais bonitas do filme.
A cena final é também de beleza sublime. Metaforiza o Caminho de cada e de todos nós - brancos, pretos, amarelos. E a música de Mary J. Blige "Living Proof" não podia ser mais adequada para tornar o fim desta história, uma misto de redenção e perdão.

Terminada a música, levanto-me e apercebo-me que a maioria das pessoas que foram assistir à mesma sessão do que eu, entretanto já tinham ido embora, aquando do início da música. Se calhar perderam o melhor. Se calhar estavam fatigados de um filme de duas horas.

Todo o cinéfilo tem conhecimento de que os Oscares estão “à porta” e é sabido que falta uma semana para a tão aguardada lista de nomeados venha à tona. Atrevo-me a dizer que The Help será um filme que estará com a luz projectada não só filme em si, mas em algumas actrizes que vestiram muito bem as personagens. Emma Stone, Viola Davis e Octavia Spencer. Esta última no passado dia 15, nos Globos de Ouro venceu na categoria de melhor actriz-secundária. Espero que as outras duas actrizes sejam nomeadas também.
As indumentárias da época 60’s, os adereços, os penteados, os carros clássicos e todo o revivalismo que foi recriado merece um elogio pela primazia e pelo espectáculo que faz aos olhos de quem vê o filme. Contudo, o filme perde um pouco de brilho pelo seu “excesso visual” rosa, que poderá dispersar um público masculino.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Bom Senso, Manual do Ateu, de Holbach

Editora: Alfanje Edições
Ano de Publicação: 2011
Nº de Páginas:192
Publicado pela primeira vez em 1772, Bom Senso, Manual do Ateu fez alvoroço nos meios sociais, culturais e principalmente religiosos de então. Pensador da era iluminista, filósofo e ateu militante, Holbach pode ser descrito como um dos intelectuais mais radicais do seu tempo. Escrito num estilo directo e sem requintes estilísticos, este livro denuncia os falsos moralismos da religião, não como una, mas na sua globalidade: «As convicções religiosas provocam mais mal que bem; são nocivas porque concordam vezes demais com as paixões dos tiranos, dos ambiciosos, dos fanáticos e dos padres». A palavra ateu pode significar sem deus ou sem teísmo, portanto, ateu é quem não crê na existência de um ser superior. Existe também os seres agnósticos, que pode o leitor leigo poderá confundir com os seres ateus. O termo “agnóstico”, em si mesmo, não indica se alguém acredita ou não num Deus. Eis a diferença que os separa.
O Bom Senso que se fala neste “manual” vai muito além da capacidade de discernir o certo do errado de cada religião e de cada dogma que uma pessoa acarrete.
Recheado de frases “bomba” dirigidas ao seio religioso, nomeadamente aos «Ministros» (Padres), ao «Monarca» (Deus) e aos seus fieis seguidores, o autor denuncia veementemente a religião e a teologia como «obscuras e misteriosas». Os padres aliais, são constantemente “bombardeados” nas palavras e pensamentos de Holbach: «Os próprios padres estão doentes; no entanto, os homens teimam em frequentar as suas lojas». Acrescenta ainda que «se a religião fosse clara, seria menos apelativa para o ignorante. Ele precisa de obscuridade, mistério, milagres, coisas incríveis que lhe preencham o cérebro».
O Príncipe oculto (mais um sinónimo utilizado por Holbach para designar Deus) «se é o autor de tudo, é também o autor do bem e do mal que vemos neste mundo; se Ele dá a vida, também provoca a morte; se provém abundância, riquezas, prosperidade e paz, também permite ou envia fome, pobreza, calamidades e guerras».
«O homem não nasce religioso, nem tão pouco teísta», é outro pensamento do autor ateu. A persuasão de Holbach em tentar chamar os homens à razão – à sua – é iminente ao longo das páginas deste livro. Ele afirma que «é sempre a índole do homem que decide a índole do seu Deus; cada um concebe um Deus para si de acordo com o seu carácter».
Ler este livro faz o leitor pensar que a religião e todas as suas “teias de ligação”, ontem, hoje e amanhã sempre existiram, existem e existirão. Holbach tentou provar que se podia ser virtuoso e ateu, contrariamente à ideia criada no século XVIII.
Como remate final, no livro Holbach questiona: «que motivos temos para acreditar na existência de um Deus? E como podemos amar aquilo que não conhecemos?».
Seguramente, um livro que nos abre os olhos ou que os fecha – ainda mais.
As seguintes citações não estão descritas neste livro mas fazem todo o sentido em serem adicionadas aqui. Um dia Saramago afirmou: «Não nos damos conta de que, tendo inventado Deus, imediatamente nos tornamos Seus escravos». Ou ainda o grande Charlie Chaplin que disse uma vez: «Por simples bom senso, não acredito em Deus; em nenhum». E por fim uma citação lida há bem pouco tempo: «Morrer pelas crenças teológicas é o pior uso que um homem pode dar à sua vida», de Oscar Wilde.
Antes de terminar, acrescento e saliento o excelente trabalho de tradução do seu original – escrito há duzentos e trinta e nove anos - pela Alfanje Edições.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Passatempo: «Os Descendentes», de Kaui Hart Hemmings

O blogue em parceria com a Editorial Presença tem para oferecer um exemplar do livro 
«Os Descendentes», do autor Kaui Hart Hemmings, que será publicado hoje, dia 17 de Janeiro.

 O passatempo decorrerá até às 23h59 de 23 de Janeiro.

Para quem não sabe, o filme baseado nesta história vai estrear nos cinemas nacionais na próxima 5ª feira. Um filme que venceu nas categorias de melhor filme de drama e melhor actor de drama, atribuído ao actor George Clooney, no passado dia 15 de Janeiro, nos Globos de Ouro. É para muitos críticos um dos grandes favoritos aos Óscares de 2012.

Mas não vão querer assistir ao filme sem antes ler o livro, vão?


Para participar, só tens de ser seguidor do blogue e responder acertadamente ao formulário seguinte, e esperar seres o feliz contemplado.

Encontra aqui as respostas.



Regras do Passatempo:
1) O passatempo decorrerá entre os dias mencionados, sendo exclusivo a participantes residentes em Portugal (Continental e Ilhas);
2) Será validado exclusivamente as participações com as respostas acertadas e será aceite apenas uma participação por pessoa ou email;
3) O vencedor será sorteado aleatoriamente através do Random.org e o seu nome publicado aqui no blogue, além de ser comunicado ao mesmo via e-mail.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Uma música que lembra-me um filme



Filme: Doce Novembro (Sweet November) -2001
Música: «Only Time» - Enya

Passatempo: «O Conto do Vigário», de Fernando Pessoa

O blogue em parceria com a Centro Atlântico tem para sortear o livro «O Conto do Vigário», de Fernando Pessoa.

O passatempo decorrerá até às 23h59 de 19 de Janeiro. 

aqui a Sinopse
Para participar, só tens de ser seguidor do blogue e responder acertadamente ao formulário seguinte, e esperar seres o feliz contemplado.




Nota: As participações - neste passatempo - são ilimitadas. Portanto quanto mais vezes participares, mais hipóteses tens de ganhar!!! Boa sorte.


Regras do Passatempo:
1) O passatempo decorrerá entre os dias mencionados, sendo exclusivo a participantes residentes em Portugal (Continental e Ilhas);
2) Será validado exclusivamente as participações com as respostas acertadas e será aceite apenas uma participação por pessoa ou email;
3) O vencedor será sorteado aleatoriamente através do Random.org e o seu nome publicado aqui no blogue, além de ser comunicado ao mesmo via e-mail.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Jesus, o homem que era Deus, de Max Gallo

Editora: ASA
Ano de Publicação: 2011
Nº de Páginas: 304
Max Gallo é um biógrafo de personalidades como César, Victor Hugo e Napoleão e autor de outros livros de não ficção. Várias de suas obras se tornaram best-sellers. Neste controverso Jesus, o Homem que Era Deus o autor “serve-se” de Flávio – o centurião romano – para narrar os trinta e três anos de vida de Jesus.
Romances sobre a vida de Jesus, há muitos, se bem que a “febre” neste tema tenha tido o seu auge, aquando da publicação do Código Da Vinci. Não obstante para o leitor leigo em matéria evangélica, é uma boa iniciação ao tema, pois o autor aborda subtilmente algumas partes dos evangelhos, distribuídos pelas três partes que compõem o livro.
O livro está repleto de citações, copy–paste tirados dos Evangelhos, frases curtas e incisivas, espaços em branco em demasia entre os textos e entre os capítulos, o que fazem com que este Jesus, o Homem que Era Deus torne-se q.b. maçador e q.b. popular, passo a redundância.

Editorial Presença publica «Os Descendentes» (Divulgação)

Título: Os Descendentes
Autor: Kaui Hart Hemmings
Título Original: The Descendants
Tradução: Maria do Carmo Figueira
Páginas: 304
Coleção: Grandes Narrativas Nº 520

O LIVRO: Tendo como cenário a paisagem exuberante do Havai, Os Descendentes é uma obra de estreia acerca de uma família pouco convencional que se vê forçada a unir-se e a recriar o seu próprio legado. Matthew King é advogado e um dos homens mais ricos do Havai. Mas a sorte muda quando, Joanie, a sua mulher, sofre um acidente numa corrida de barco que a deixa em coma. Esta situação acarreta novas responsabilidades para King, entre as quais aprender a lidar com as duas filhas, a pequena rebelde, Scottie, de dez anos, e Alex, uma adolescente de dezassete,  que acaba de passar por uma desintoxicação de drogas. Entretanto, surpreendido por revelações inesperadas, King decide empreender com elas uma viagem...

A AUTORA: Kaui Hart Hemmings cresceu no Havai e estudou nos Colorado College  e Sarah Lawrence College. Publicou um livro de contos, House of the Thieves, que alcançou grande visibilidade e sucesso. Os  Descendentes é o seu primeiro romance já com direitos de publicação vendidos para 14 países.

«Um romance surpreendente e tocante, uma história sobre morte e infidelidade que reflete ao mesmo tempo uma visão delicada e luminosa acerca da vida e do amor.»
Time Out New York

«Um olhar sagaz e observador, com frequência jocoso e por vezes pungente, sobre um pai bem-intencionado mas confundido, que tenta manter a união de uma família nada convencional.»

Publishers Weekly

«Hemmings consegue ser  irreverente ao ponto de chocar, ao mesmo tempo que nos diverte sem nunca deixar de transmitir uma poderosa força emocional.»

The Guardian (London)

O FILME: Filme estreia em Portugal a 19 de Janeiro de 2012, com realização de Alexander Payne e protagonizado por George Clooney. Os Descendentes foi considerado o Filme do Ano para a Associação de Críticos de Los Angeles e é um dos favoritos aos óscares.

Trailer do Filme AQUI

Agatha Christie - A Visita Inesperada (Divulgação)

Sinopse
Numa noite de nevoeiro cerrado, o carro de Michael Starkwedder despista-se numa estrada rural. Em redor, há apenas uma casa isolada. Quando Michael se aproxima para tentar pedir ajuda, o cenário com que se depara é arrepiante: numa cadeira de rodas, jaz o cadáver de um homem; a seu lado, está uma atraente mulher com uma arma na mão. A solução do caso parece simples, não fosse o facto de o morto ter uma longa lista de inimigos. Michael percebe que está perante o cadáver de um monstro. Quem de entre os muitos alvos da sua malvadez poderá ter cometido o crime? A resposta pode estar dentro da própria casa e dos seus inúmeros suspeitos…

Escrito originalmente por Agatha Christie em 1958 como uma peça de teatro, A Visita Inesperada (The Unexpected Guest) foi adaptado para romance por Charles Osborne em 1999.

Novidades ASA Janeiro (Divulgação)

Sinopses:

A VIDA SECRETA DAS PRINCESAS ÁRABES - Jean Sasson
Sultana é o pseudónimo de uma corajosa princesa da Arábia Saudita. Ela é uma das dez filhas da família real mas a sua vida, rodeada de luxo e riquezas inimagináveis, está longe de ser um conto de fadas. No seu país, as mulheres – qualquer que seja o seu estrato social – estão sujeitas à tirania ditada por um fanatismo religioso que promove a poligamia, dá ao homem o poder de castigar cruelmente qualquer mulher e incentiva os casamentos forçados, as mutilações e a violência sexual, as execuções por apedrejamento ou afogamento.
Quando aceitou contar a sua história à jornalista e escritora Jean Sasson, Sultana sabia que estava a pôr em risco a própria vida. Foi conscientemente que abdicou da sua segurança pessoal para denunciar o brutal quotidiano das mulheres sauditas. A sua voz dá-nos a conhecer um mundo no qual a sumptuosidade e a extravagância coexistem com a violência e a barbárie. A princesa partilha connosco a sua intimidade e a das mulheres que a rodeiam: as suas filhas, primas, amigas… mas, na sua franqueza e coragem, ela fala por todas as mulheres.    

Este volume reúne os livros:
SULTANA – A VIDA DE UMA PRINCESA ÁRABE
AS FILHAS DA PRINCESA SULTANA
DESERTO REAL

O NASCIMENTO DE VÉNUS - Sarah Dunant
Alessandra Cecchi tem quase quinze anos quando o pai, um próspero mercador de tecidos, contrata um jovem pintor para pintar um fresco na capela do palazzo da família. Alessandra é uma filha da Renascença, tem uma mente precoce e um temperamento artístico… e rapidamente fica inebriada pelo génio do pintor.
Muitos anos depois, a irmã Lucrezia morre no convento onde passou grande parte da sua vida. Perplexas, as outras freiras observam a estranha serpente tatuada no seu corpo.
É que, antes de entrar para o convento, a irmã Lucrezia era Alessandra. Jovem, bela e inteligente, ela viveu o esplendor e luxo da Florença renascentista, conviveu com os ricos e poderosos, criou, amou, transgrediu... Como foi ela parar àquele convento? O que significa a tatuagem na sua pele? Quais foram afinal as causas da sua morte?

Romance de amor, mistério e arte, O Nascimento de Vénus dá-nos a conhecer um irreverente elenco de mulheres inesquecíveis, que nos abrem as portas da Florença renascentista, um dos mais formidáveis centros de cultura e arte da história da humanidade.
 
MIL NOITES DE PAIXÃO - Madeline Hunter
Eles não têm absolutamente nada em comum.
Lady Reyna é uma mulher virtuosa e erudita, que preferia morrer a quebrar uma promessa ou voto.
Ian de Guilford é um sensual mercenário, um cavaleiro errante cujo temperamento fogoso lhe valeu a alcunha de Senhor das Mil Noites.
Ela não conhecia a sua fama quando, fazendo-se passar por cortesã, transpôs as linhas inimigas com um plano desesperado para salvar o seu povo. Agora que está frente a frente com o guerreiro a cujos encantos, diz-se, é impossível resistir, Reyna apercebe-se de que subestimou o seu inimigo. Ele está decidido a tudo para subjugar a sua virtude. A bem do seu povo, ela não pode ceder... e a sua audácia leva-a a fazer algo com que nunca sonhou: pôr em jogo o seu coração.

Novidades Livros d'Hoje Janeiro (Divulgação)

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UM LONGO REGRESSO A CASA - Gail Caldwell
Sinopse
«Esta é uma velha história: eu tinha uma amiga com quem partilhava tudo, até que ela morreu e também isso nós partilhámos.
Um ano depois de ela ter partido, quando eu julgava já ter ultrapassado a loucura daquele sofrimento inicial, caminhava no parque de Cambridge onde durante anos Caroline e eu passeámos os cães. Era uma tarde de inverno e o local estava vazio – a estrada fazia uma curva, não havia ninguém à minha frente nem atrás de mim e eu senti uma desolação tão grande que, por momentos, os meus joelhos ficaram imóveis. “O que estou aqui a fazer?”, perguntei-lhe em voz alta, habituada agora a conversar com uma melhor amiga morta. “Devo seguir em frente?”»

Gail Caldwell ganhou o Prémio Pulitzer de Crítica Literária em 2001. Foi a principal crítica literária do jornal The Boston Globe e é autora de A Strong West Wind. Vive em Cambridge, Massachusetts.


O NOVO NORTE – O MUNDO EM 2050 - Laurence C. Smith
Sinopse
O mundo em 2050 será radicalmente diferente do de hoje. Países do norte — nomeadamente Canadá, Rússia e Escandinávia — subirão à custa dos do sul. Lugares como Nova Zelândia, Argentina e Brasil também serão vencedores. Os padrões de migração humana serão drasticamente alterados — e o local onde nascemos será ainda mais crucial nas nossas vidas.
O Novo Norte explora as «quatro forças motrizes» que estão a modificar o mundo: a mudança climática, o crescimento populacional, a globalização e o esgotamento dos recursos. Mais do que isso, tenta-se prever como estas irão moldar o mundo até 2050. Este é um livro sobre pessoas e os fatores que determinam onde e como elas vivem, examinando mais cuidadosamente os países do extremo norte — Escandinávia, Canadá, Gronelândia —, que têm a ganhar com as mudanças em curso.

O autor é professor de geografia e de terra e ciências espaciais da Universidade da Califórnia. Publicou mais de cinquenta artigos de investigação, em revistas como Science e Nature e, em 2006, informou o Congresso sobre os impactos prováveis da mudança climática do norte. Os seus trabalhos têm sido abordados e discutidos em diferentes meios de comunicação social, como LA Times, National Geographic, The Boston Globe, The Washington Post, Time Magazine e NPR.

Eduardo de Souto Moura - Editora Caleidoscópio (Divulgação)

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Convite: Edições Vieira da Silva (Divulgação)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Dispersão - Mário de Sá-Carneiro

Foto: Miguel Pestana

Perdi-me dentro de mim 
 Porque eu era labirinto
E hoje, quando me sinto.
É com saudades de mim.

Passei pela minha vida
Um astro doido a sonhar.
Na ânsia de ultrapassar,
Nem dei pela minha vida...

Para mim é sempre ontem,
Não tenho amanhã nem hoje:
O tempo que aos outros foge
Cai sobre mim feito ontem.

O pobre moço das ânsias...
Tu, sim, tu eras alguém!
E foi por isso também
Que me abismaste nas ânsias.

Como se chora um amante,
Assim me choro a mim mesmo:
Eu fui amante inconstante
Que se traiu a si mesmo.

Regresso dentro de mim
Mas nada me fala, nada!
Tenho a alma amortalhada,
Sequinha, dentro de mim.

Não perdi a minha alma,
Fiquei com ela, perdida.
Assim eu choro, da vida,
A morte da minha alma.

Paris, 1913

domingo, 8 de janeiro de 2012

Inscrição da Terra, de Luís Ricardo Pereira

Editora: Instituto Piaget
Ano de Publicação: 2003
Nº de Páginas: 176
Inscrição da Terra é um estudo sobre a obra da poetisa Sophia de Mello Breyner Andresen, da autoria de Luís Ricardo Pereira que apresentou o seu mestrado em Estudos Portugueses e Brasileiros, sendo este estudo – quase no seu extenso - o essencial desse trabalho.
Que Sophia de Mello Breyner Andresen é um dos nomes maiores da poesia contemporânea portuguesa, isso é conhecimento geral, agora só conhecendo algumas particularidades da sua extensa poesia é que podemos decifrar o enigma por trás dos seus textos.
A poetisa lançou em 1944 o seu primeiro livro Poesia I. É a partir desta sua primeira obra que o autor traça o percurso poético da poesia andreseana, uma poesia «que expõe, num tom poético ímpar, a exigência de uma primordial pureza e essencialidade das coisas, praticamente impossível de repetir ou imitar».
A obra de Sophia teve ao longo do seu decurso a inspiração de vários autores de que também ela admirava, tais como Cesário Verde, Eugénio de Andrade ou Fernando Pessoa. Este último de tal forma a inspira que dedica-lhe um poema a um dos seus heterónimos Ricardo Reis «(...) cada dia te é dado uma só vez/ E no redondo círculo da noite/ Não existe piedade/ Para aquele que hesita/..O tempo apaga tudo menos esse/ Longo indelével rasto/ Que o não-vivido deixa..»
Para Sophia «A poesia é a continuação da tradição oral. E é mestra da fala: quem, ao dizer um poema, salta uma sílaba, tropeça, como quem ao subir uma escada falha um degrau»
A linguagem poética de Sophia de Mello Breyner tem como inspiração em grande parte da sua poesia a cultura clássica greco-romana, a simplicidade e a pureza da palavra na sua relação da linguagem com as coisas. Sophia na sua poesia conserva e reforça continuamente uma relação privilegiada com o mar, com o vento, com o sol e a luz e com a terra. «O poeta é aquele que vive com as coisas, que está atento ao Real, que sabe que as coisas existe.»
A temática do silêncio, da dualidade dos objectos e luzes que reflectem duas ideias, a lonjura da noite, a espera, o vazio, está muito presente em seus poemas: «Deito-me tarde/ Espero por uma espécie de silêncio/ Que nunca chega cedo/ Espero a atenção a concentração da hora tardia/ Ardente e nua/ É então que os espelhos acendem o seu segundo brilho/ É então que se vê o desenho do vazio/ É então que se vê subitamente/ A nossa própria mão pisada sobre a mesa/ É então que se vê passar o silêncio.»; «..É só na penumbra da hora tardia/ Quando a imobilidade se instaura no centro do silêncioo/ Que à tona dos espelhos aflora/ A luz que os habita e nos apaga;/ Luz arrancada/ Ao interior de um fogo frio e vítreo.»
Para terminar, recomendo a leitura deste trabalho não só a estudantes, mas também aos amantes da poesia andreseana, e para o final deixo-os com as palavras de Sophia: «O poema me levará no tempo/ Quando eu já não for eu/ E passarei sozinha/ Entre as mãos de quem lê».

sábado, 7 de janeiro de 2012

O Amor a Portugal

Este tema da Dulce Pontes - a eterna lusitana voz de Portugal - faz todo o sentido em se ouvir nos tempos sombrios que se avista nas mentes obscuras e fracas de muitos portugueses. Portugueses que parecem querer evidenciar só o que de mal e de agoiro existe no país, qual apátridas que o sois.
Os jornais só enaltecem as notícias negras que o país atravessa, os noticiários também só entram pelas casas adentro com as mais negativas das informações, e para não mencionar as redes sociais, em que deparo-me com as mais tristes e abjectas frases e caricaturas sobre um país, que é o vosso, o meu..
Um dia alguém disse - e eu acredito que - não existem erros na vida, apenas lições. Não existem experiências negativas, apenas oportunidades para crescer, aprender e avançar ao longo do caminho..

Quando há os campeonatos de futebol de Portugal, todos os portugueses acompanham até ao fim, quando a Selecção marca um golo, todos se alegram e riem de felicidade; quando uma bola entra na rede ou quando o jogo é perdido, a desilusão estampa-se no rosto e até choram de desgosto..
Não quero de todo equiparar o momento actual de Portugal a um jogo de futebol, mas quando o país vos dá alegrias, vocês estão lá, apoiando-O; quando o oposto, onde estão vocês?
Resposta: Afundam-O ainda mais!


Afinal falta cumprir/ O amor a Portugal!



O dia há-de nascer
Rasgar a escuridão
Fazer o sonho amanhecer
Ao som da canção
E então:
O amor há-de vencer
A alma libertar
Mil fogos ardem sem se ver
Na luz do nosso olhar
Na luz do nosso olhar
Um dia há-de se ouvir
O cântico final
Porque afinal falta cumprir
O amor a Portugal
O amor a Portugal!

Música: ENNIO MORRICONE
Letra: DULCE PONTES & CARLOS VARGAS

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Passatempo: «A Chave», de Cláudia Valle Santos

Eis o primeiro passatempo de 2012 : )

O blogue em parceria com a Edições Vieira da Silva tem para sortear o livro «A Chave», de Cláudia Valle Santos.

O passatempo decorrerá até às 23h59 de 13 de Janeiro.
aqui a Sinopse
Para participar, só tens de ser seguidor do blogue e responder acertadamente ao formulário seguinte, e esperar seres o feliz contemplado.




Regras do Passatempo:
1) O passatempo decorrerá entre os dias mencionados, sendo exclusivo a participantes residentes em Portugal (Continental e Ilhas);
2) Será validado exclusivamente as participações com as respostas acertadas e será aceite apenas uma participação por pessoa ou email;
3) O vencedor será sorteado aleatoriamente através do Random.org e o seu nome publicado aqui no blogue, além de ser comunicado ao mesmo via e-mail.

Tiago Rebelo - 5 Livros do catálogo da ASA Editora (Divulgação)


Tiago Rebelo é um dos romancistas mais brilhantes das letras portuguesas. Na última década manteve uma produção literária constante e os seus livros tornaram-se há muito presença habitual nos lugares cimeiros das principais tabelas de vendas nacionais. Com títulos disponíveis em diversos países, desde o Brasil a Angola e Moçambique, foi igualmente editado em Itália e na Argentina. Depois dos enormes sucessos aplaudidos pelo público e pela crítica, O Homem Que Sonhava Ser Hitler, editado em 2010 pela ASA, é um magistral e absorvente relato de uma face desconhecida da sociedade actual. A par da actividade literária, Tiago Rebelo tem já uma longa carreira de jornalista, sendo actualmente editor executivo na TVI.

Novidades Esfera do Caos (Divulgação)

Alfanje Edições (Divulgação)

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Filme: A Pele Onde Eu Vivo (La Piel Que Habito) 2011

Trailer

Antes de mais, este foi o primeiro filme que vi de Almodóvar – claro que já ouvi falar dos seus filmes de temáticas ousadas e polémicas como Fala com Ela, Voltar, Abraços Desfeitos - portanto não vou fazer equiparações com outros filmes do realizador, antes vou me concentrar neste A Pele Onde Eu Vivo em si, não no cineasta. 
Como protagonista Antonio Banderas veste a bata de Robert, um cirurgião plástico, obstinado em inventar pele artificial, um tecido ignífugo bastante resistente e nas suas “experiências” tem como cobaia uma mulher que se condescende para tais efeitos. Aquando da sua palestra para divulgar ao mundo científico tal proeza, sente na pele a frieza da decepção dos colegas e demais audiência. Esta sua obsessão tem como estímulo o acidente que queimou e vitimou a sua mulher. 
A jovem filha do médico tem uma grande importância no desenrolar do filme, pois um acontecimento em que ela é vítima (também) irá desencadear uma obsessão redobrada na mente psicótica de Robert. No fundo o médico é a principal vítima, dentre as vítimas!
Temas como histeria, fobia, psicose, neurose, obsessão, sexo, vingança, ocultismo, são focadas no filme, variando entre o quanto baste para a excessiva dose, muitas delas sem sentido.
A nulidade de efeitos especiais e de banda sonora, realça um filme que vai desfilando numa vagareza lúgubre.
Como metáfora principal deste filme e em jeito de interrogação: será que (re)conhecemos o corpo em que habitamos?
A interpretação de Antonio Banderas é um dos pontos fortes do filme, em conjunto com a brilhante e invulgar criatividade de um realizador que – nesta minha primeira abordagem à sua obra - preza e cultiva a diferença.
Filme recomendado!


Nota: Este filme foi baseado no livro de Thierry Jonquet «Tarântula», que em Portugal foi publicado pela Objectiva Editora.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Crise: Perigo vs Oportunidade


"O carácter chinês para crise é composto por dois subcaracteres: 
um que simboliza perigo e outro que simboliza oportunidade
Pelos vistos, até os antigos chineses sabiam que existe um lado positivo para a mais negra das circunstâncias...se tivermos coragem de o procurar."


in, «O Monge que Vendeu o seu Ferrari» de Robin Sharma

domingo, 1 de janeiro de 2012

O Poder de Dar, de Azim J. e Harvey M.

Editora: Caleidoscópio
Ano de Publicação: 2011
Nº de Páginas: 192
O Poder de Dar é um livro que tem inspirado centenas de pessoas em todo o mundo a melhorar a sua filantropia. Os dois autores são pessoas que aprenderam com os factos da vida a dar, mas frisam que é importante também receber, pois só assim a «fórmula» fica completa.
Azim e Harvey falam sobre a doação não só de dinheiro, mas também de tempo (voluntariado) – que as pessoas tenham disponíveis (por pouco que seja) - , a “doação” de um sorriso, de conhecimentos, de esperança, de habilidades e fundamentalmente de atenção para com os mais necessitados (e não me refiro apenas aos indigentes, mas os necessitados de afecto, que podem ser algum membro da nossa família, trabalho, etc).

No livro – que está bem organizado a nível de temáticas - encontramos tópicos sobre quando dar, a quem dar, quando dar, quanto dar, e claro, por que dar, passo a redundância.
São apresentadas muitas sugestões de maneiras de como todo o ser humano pode ser gentil, compassivo e generoso.

Não é um livro técnico, de auto-ajuda, é sim a meu ver um guia que “abana” o leitor para ver que tem todo um potencial para dar e só depende dele fazer com isso aconteça, espontaneamente.

Dar nos inspira a sair fora de nós mesmos e ter uma maior consciência do outro. Dar faz com que sejamos menos egocêntricos e egotistas..
É um livro poderoso que irradia compaixão e vontade de presentear todos ao nosso redor, mesmo sem gastar um único euro.
Nesta época de Natal que fala-se tanto em dar e receber, este livro veio mesmo a calhar, sendo uma prenda ideal para ofertar uma pessoa especial, seja nesta época ou em qualquer altura do ano, e se o der sem motivo algum, o estipêndio será maior. Experimente!