sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

«O Espião Português», de Nuno Nepomuceno

Editora: ASA
Ano de Publicação: 2012
Nº de Páginas: 336
Destacado de entre as cerca de 300 obras que concorreram à primeira edição do Prémio Literário book.it (uma iniciativa de se louvar, numa altura em que se edita cada vez menos em Portugal e, por conseguinte, novos talentos com menos probalidades de verem o seu potencial reconhecido), O Espião Português tem a assinatura de Nuno Nepomuceno, um licenciado em Matemática com destreza para as Letras. 
O protagonista desta trama de espionagem é André Marques-Smith, o jovem e promissor funcionário do Palácio das Necessidades, onde dirige o Gabinete de Informação e Imprensa do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), sendo também alcunhado por ser o braço direito do ministro. 
A par desta profissão, André é um competente espião da Cadmo, uma organização semigovernamental de combate ao crime, onde o seu nome de código é Freelancer. «Atlético, ágil e suficientemente atraente», o jovem de 27 anos utiliza as viagens proporcionadas pelo MNE para ter essa vida paralela, participando nas muitas missões que lhe são atribuídas. 
É precisamente no decorrer duma delas – em Estocolmo – que ele, Marie, Anssi e Monique se envolvem num novo projecto, que tem por objectivo reunir quatro partes de um código há quase 30 anos disperso. Passados seis meses, os mesmos quatro colegas estarão frente a frente, mas dois pertencerão à facção inimiga: A Dark Star – uma organização criminosa internacional, da qual fazem parte China Girl e Eagle Eye
O que o protagonista da trama não contava era que para dar por concluída essa missão, teria de ser atraiçoado pelos seus melhores amigos, pela própria família e descobrir que a sua vida não passa de uma invenção. Para juntar a esta situação, André sofre por uma desilusão amorosa do passado, de onde ainda se sente refém. É em Diogo, o seu melhor amigo, que André procura um pouco de divertimento para suportar essa desilusão afectiva. Mas será Diogo, um fiel amigo? 
Iniciada na cidade de Estocolmo, a última missão tem desenlace em Viena, quando André recupera um documento na Biblioteca Nacional austríaca. Mas esta missão reserva-lhe uma grande surpresa, que poderá mudar a sua vida e a de todos. 
Depois de tanto esforço André sente-se cansado e pressagia um fim, e um início: «Desesperado, deixou de ver significado no mundo e tomou uma decisão.» (p. 336) 
A trama tem muitas revelações, muito suspense e adrenalina. Só na última dezena de páginas é que o leitor saberá o motivo pelo qual toda a acção decorre. O Espião Português não é um livro policial comum. O autor teceu a obra inteligentemente, tanto a narrativa como a parte psicológica dos personagens, estruturou os espo-temporais em cidades ricas em simbolismo e, «jogou» e entrelaçou sentimentos fortes das relações humanas como a amizade e a consanguinidade, o que perfaz deste policial um livro também com forte carga sentimental. É toda esta densidade emocional, que permite ao leitor se envolver, que acaba por nos conquistar. No que decepciona? No léxico pouco rico, na - por vezes - excessiva pontuação e na veste psicológica confusa de um personagem. 
O Espião Português é o primeiro volume de uma trilogia que promete surpreender. 

2 comentários:

Teresa Paulo disse...

Se for como os livros de Daniel Silva, mal posso esperar para ler!

milureis disse...

Eis um livro que logo que ouvi falar dele me despertou a curiosidade.
De há um ano para cá estou a descobrir que existem bons escritores novinhos, de idade e de reconhecimento, dos quais alguns fiquei muito agradavelmente surpreendida pela boa qualidade de escrita.
Este, pelas críticas que li deve estar incluído nesse grupo, estou mortinha por o ler.