sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

«Só Entre Nós», de Luís Osório


Editora: Chiado Editora
Ano de Publicação: 2012
Nº de Páginas: 139

Ultrapassam os quatrocentos, os pensamentos expressos em texto compilados em Só Entre Nós, o primeiro livro publicado pela Chiado Editora, de Luís Osório – jornalista, cronista, autor/guionista de programas de televisão, e escritor.
Dos textos apresentados sobressaem uma elevadíssima capacidade, do autor, de em frases concisas transmitir muito profundamente as suas opiniões sobre o seu/nosso quotidiano, desde situações caricatas do dia-a-dia a acontecimentos mais sérios, como os da política e religião.
No seu estilo delicado e tácito de escrever, as mensagens de alto grau humanístico que o autor de 25 Portugueses (Editorial Notícias, 1999) nos transmite são merecedoras de uma segunda ou mais leituras, como se de mantras se tratassem.
O que cativa e alento nos dá para ler ininterruptamente esta antologia é a subtileza, a humildade, a leveza, o despreconceito com que temas como a infância, a família, a solidão («A solidão não é um exclusivo do que estão sós – tantas vezes é nas casas cheias que damos de frente com ela.» (p. 21)), o silêncio, a vida e a morte são abordados. Estas temáticas e outras são escritas em tom nostálgico, quando o autor relembra as suas próprias vivências; e é por isso que grande parcela deste livro é de cariz pessoal, íntimo.
A construção e estruturação das frases em todo o livro são ligadas por vocabulário simples (nunca simplista), o que funciona como um pró do livro (quem escreve com grande profundidade semântica usando um lápis tipo H (traço claro), poderá obter o mesmo efeito com um lápis tipo B (traço escuro)).
Da sinopse de Só Entre Nós não consta a origem ou o fim para qual foram escritos as mais de quatro centenas de textos; então fui averiguar (na página do autor no Facebook) e descobri que Luís Osório objectivou deixar/escrever um pensamento/texto por dia, até ao fim dos seus dias.
Se este livro não me enganou, o autor da frase «A melhor de todas as expressões do amor é o silêncio (...)» é um grande – com guê maiúsculo – ser humano.

2 comentários:

Becasfields disse...

Não, o livro não engana porque em cada pensamento, em cada dia, em cada atitude a elegância das palavras permanece, o sentido é muitas vezes sábio, formativo e/ou até denunciador.
Não, não engana porque no fio condutor sempre encontramos sinais de esperança ou da sua procura.
Não, não engana porque as palavras têm o peso da generosidade mesmo que em rota de colisão.
Não, não engana ...

E assim vamos ficando dependentes do nosso "Só Entre Nós". Já esperamos o próximo!

Cláudia Nunes disse...

Interessante o resultado dessa pesquisa acerca da contextualização da criação destes pequenos textos. Parece-me desde já uma forma original de escrever um diário.
Espero folheá-lo um dia destes.