sexta-feira, 12 de abril de 2013

«A Hipnotizadora», de Barbara Ewing

Editora: Europa-América
Ano de Publicação: 2008
Nº de Páginas: 384
Londres, na primeira metade do séx. XIX. Duas actrizes falidas, Cordelia Preston e Rillie Spoons, para ganharem dinheiro aprendem, nos livros, a arte do magnetismo, pois elas sabem que é um ofício muito em voga na época Vitoriana em que elas vivem, se bem que não visto a bons olhos perante a alta sociedade londrina. As amigas dedicam-se então ao estudo da frenologia e do mesmerismo, entre um gole de vinho do Porto (um dos erros da tradução, ou do texto original é Porto estar escrito com pê pequeno (e são mais de dez as vezes que a autora fala sobre o vinho)) e outro, mas Cordelia descobre que ela própria possui o dom inato para exercer esses poderes, tal como a sua falecida tia Hester. Inicialmente, no seu consultório improvisado, Cordelia recebe clientes femininas apenas, que numa sociedade onde o tema do sexo era tabu, ignoravam o básico sobre relações sexuais. Cordelia, através da frenologia prevê se um determinado casamento será duradouro, atribulado ou feliz. Em pouco tempo o negócio prospera e o hipnotismo deixa de ser tão mal-visto pelas pessoas.
Mas Cordelia esconde um passado familiar que pode destruir toda a sua carreira, e assim deixar de ajudar os seus pacientes, muitos deles em estados oncológicos. A vida da bonita e bondosa frenomesmerizadora sofre muitas alterações, quando esta recebe uma visita inesperada, que momentos depois surge violentamente assassinada. Se pelo menos Cordelia não tivesse sido a a última pessoa a vê-la com vida…
Além do homicídio, um suicídio é cometido e uma outra morte. Nesta parte da narrativa, a hipnotizadora se verá entre um dilema: ou desvenda à justiça o seu passado ou acarretará para sempre um grande peso na sua consciência.
Além de ser um romance com personagens bem delineadas psicologicamente (Cordelia, uma personagem que ficará sempre no meu imaginário), em A Hipnotizadora o tema que mais desperta o interesse no leitor é a descrição que a autora faz sobre o mesmerismo e frenologia, duas palavras que juntei ao meu vocabulário. Fiquei a saber que a doutrina — que o médico Franz Anton Mesmer atribuiu por mesmerismo, no séc. XVIII — esteve emergente durante a Era Antiga, particularmente no Egipto, onde era utilizado nos rituais religiosos. Descobri também a origem das palavras craniometria e antropometria (informações que não vêm no livro).
Portanto, The Mesmerist (título original), quarto romance de Barbara Ewing, primeira obra da autora publicada em Portugal, é um livro que pese embora a estruturação da história não seja muito aliciante, sem muitos sobressaltos, o que mais gozo nos dá é acompanhar o drama e, quiçá, a felicidade da protagonista ao longo da sua caminhada.

2 comentários:

Thiago Felício disse...

Oi Miguel. Obrigado por comentar no seu blog. Resolvi visitar o seu também e gostei bastante.
Você mora em Portugal?

Miguel Pestana disse...

Olá Thiago, sim, moro.

Sempre que achar propício, os seus comentários são bem-recebidos.