segunda-feira, 26 de agosto de 2013

«A Conferência Dos Pássaros», de Farid Ud-Din Attar

Editora: Marcador
Ano de Publicação: 2013
Nº de Páginas: 176

Publicado no dia 6 deste mês, a Marcador vem pôr ao alcance dos leitores portugueses que se interessam pela temática espiritual, uma «obra fundamental da literatura do Oriente», segundo o que vem escrito na capa de A Conferência Dos Pássaros. A obra foi escrita por um poeta persa que nasceu no século XII e um dos maiores sufis de todos os tempos: Farid ud-Din Attar. Neste livro a escrita é revelada poética e é através da fábula que Attar compõe a história de uma viagem que «todos os pássaros do mundo, conhecidos e desconhecidos» fizeram para chegar ao local em que o seu rei, o mais sábio e lendário de todos, Simurg, vive. A Poupa foi quem guiou-os nessa peregrinação. Durante esse caminho longínquo (metaforizado como a busca por Deus), que perdurou anos e anos, os pássaros mais resistentes transpuseram montanhas e vales, mas muitas foram as aves que ficaram pelo percurso. Nem todas atravessaram com vida os sete vales, entre eles o da Compreensão, o da Pobreza e do Nada, e o Vale do Amor. Estes vales representam as estações que um ser humano deve ultrapassar para compreender a verdadeira essência da Vida. Do grupo de milhares de pássaros que iniciaram a jornada, somente trinta conseguem chegar ao destino, ao lugar sublime. Lá, eles irão procurar pela grande recompensa de tão árduo esforço que fizeram em busca da divindade etérea. Mas será que a Garça, o Pardal, o Rouxinol, a Coruja, o Pavão… compreenderão efectivamente uma das frases que a Poupa lhes disse? «Se quiseres chegar ao lugar sagrado, precisas, antes de tudo, de te esforçar por ter um conhecimento das coisas espirituais.»
Em paralelo com a história dos pássaros o autor conta outras pequenas histórias, muitas das quais não ocupam meia de uma página, que são personificadas por príncipes, pescadores, mendigos, animais, etc., e que estão também carregadas de ensinamentos morais elevadíssimos, como por exemplo em O polícia e o bêbedo, dado a conhecer na página 118.
Em A Conferência Dos Pássaros podemos retirar e aplicar no quotidiano várias lições nos planos moral e espiritual, e é o que afirma o autor no final da obra: «Os meus escritos têm uma peculiaridade notável — proporcionam proveito proporcional ao modo como são lidos (...) não leias o meu livro apenas como obra poética, nem como livro de magia, mas com compreensão.»
Se a espiritualidade pode mudar o nosso olhar e entendimento sobre o mundo, poderá mudar também a nossa capacidade para o transformar.
O meu interesse em ler outros livros do autor fez-me pesquisar nas lojas onlines da FNAC, Wook e Bertrand, e no catálogo da Biblioteca Nacional de Portugal (BNP), mas nenhuma referência foi-me apresentada em resultado. A Conferência Dos Pássaros (um escrito do séc. XII) — e corro o risco de cometer um lapso — é o primeiro livro traduzido e publicado em Portugal (no Brasil este livro está traduzido como A Linguagem dos Pássaros, uma publicação de 1887, da Attar Editorial) de Farid Ud-Din Attar, de que poucas informações e referências são conhecidas sobre a sua vida e obra. Nove séculos depois, em 2013, a obra (com tradução de António Machado) está ao alcance da curiosidade dos leitores que têm em grande conta o plano espiritual.

Excerto
«Quando um amigo infeliz precisa de auxílio, sucede muita vez que só uma pessoa em mil pode ser-lhe de alguma utilidade (…) O amigo deve continuar amigo. É no infortúnio que descobrimos em quem podemos confiar; pois na prosperidade tereis um milhar de amigos.» (pp. 54-55)



5 comentários:

Elisabete Teixeira disse...

Gostava muito de ler este livro...

Elisabete Teixeira disse...

Gostava muito de ler este livro.

Daniel Nascimento disse...

Muito interessante.

lady hélène disse...

Com entrada directa para a minha wishlist.

Elisabete Teixeira disse...

Vamos ver se é desta! Ainda hoje estive a olhar para ele numa livraria...