domingo, 17 de novembro de 2013

«A Irmã de Freud», de Goce Smilevski

Editora: Alfaguara
Ano de Publicação: 2013
Nº de Páginas: 332

Antes de qualquer apontamento há que salvaguardar que A Irmã de Freud é um romance e não uma obra de não-ficção. Os contornos do livro baseiam-se, sim, em factos. As primeiras 52 páginas deste livro do escritor macedónio Goce Smilevski retratam os últimos anos de vida dos irmãos Freud, sendo Adolfine a narradora dos trágicos acontecimentos que tiveram lugar, inicialmente, em Viena e depois nos campos de concentração nazistas. 1938. Quatro irmãs de Sigmund Freud morreram, contudo, estas mortes poderiam ter sido evitadas se o famoso psicanalista, na altura com 82 anos, tivesse atribuído aos seus irmãos um visto de saída do país. Será que Freud tinha uma «repulsa pelos seus, desejo de vingança dirigido contra os seus»? É através do ponto de vista de Adolfine que esses dias que anteciparam a Segunda Guerra Mundial, são-nos contados, até ao seu próprio fim trágico. A partir do segundo capítulo a irmã de Freud guia o leitor pela sua adolescência e idade adulta, além de descrever o desenvolvimento da personalidade e percurso de vida do seu irmão. Adolfine, por causa da sua propensão para a doença, em criança, sempre foi a irmã predilecta de Freud; a irmã que assistia-o a estudar e a ouvinte assídua das ideias revolucionárias do estudante de Medicina.
«Ao longo de toda a minha vida, estiveram sempre lado a lado — o amor e a dor; o ódio da minha mãe foi o que mais sofrimento me causou, mas jamais alguém me amou como ela.» — revela a narradora, uma jovem que cedo mostrou evidências da sua instabilidade emocional e mental. Doentia e evitada por uma mãe, Adolfine desenvolve uma forte ligação com seu irmão mais velho, mas enquanto que este casa e constrói uma vida pessoal e profissonal estável, ela nunca se casa, e passa grande parte da sua vida num asilo psiquiátrico, tentando se restabelecer. Ela evita, constantemente, a responsabilidade de ser uma pessoa, e por isso, a sua psicose vai-se prolongando. Uma grande amizade e um grande amor passam pela vida de Adolfine: Klara (irmã de Gustav Klimt) e Rainer. (Ao longo da narrativa Adolfine irá cruzar-se com Ottla, a irmã de Kafka). Todavia, o seu conflito interior faz reminiscência à sua infância e é contínuo.
Composto por léxico simples, ao mesmo tempo este romance tem um toque complexo, muito devido à escrita filosófica que o autor impôs nele. A natureza claustrofóbica da narrativa exige leitura lenta e cuidadosa, pois em algumas partes do livro Smilevski cita longos e demasiados autores e obras que pesam e que não favorecem ao desenvolvimento e compreensão do romance. Por exemplo: descrições sobre pinturas famosas de temáticas obscuras (Hieronymus Bosch, Dϋrer…) e excertos longos de livros de Freud, Schopenhauer, Nietzsche. Contudo, A Irmã de Freud é uma obra que merece uma leitura, porque nos instiga e nos acresce conhecimento sobre o lado familiar pouco conhecido do pai da Psicanálise.

Excerto:
«Procurar o sentido da vida é procurar para lá do que é visível. É uma busca pela essência, para além da matéria, uma busca que conduz à libertação do desespero quando encontramos um sentido para a nossa vida, porque, como esse sentido está relacionado com tudo o que existe, ao encontrarmos o sentido da nossa existência, encontramos também o sentido da existência de tudo o que existe.» (p. 165)

6 comentários:

Patrícia Xará disse...

Gostava de ler este. Ver o outro lado das coisas.

Ana Filipa disse...

Adorava ler este romance!

Ana Filipa disse...

Gostava muito de ler este romance!

Ana Rute disse...

Deve ser bem interessante, nunca é demais conhecer a vida de Freud.

Nadia Santos disse...

Este livro está na minha lista de leitura para 2014. Espero conseguir arranjar este e mais uns quantos da lista ehehe

DanielaMP disse...

Bem, não esperava nada ler o que li agora na sinopse.
Fiquei bastante curiosa para saber mais podres da vida deste tão famoso psicanalista.