quinta-feira, 7 de novembro de 2013

«O Vagabundo», de Kahlil Gibran

Editora: Livros de Vida
Ano de Publicação: 2004
Nº de Páginas: 96

O Vagabundo foi publicado postumamente, em 1932, um ano após o falecimento do seu autor. A obra é composta por cinquenta e duas narrativas curtas — simples mas cheias de significado —, algumas de teor tão profundo, que o leitor necessita de voltar a lê-las mais de uma vez, para entender qual a verdadeira reflexão que Gibran queria transmitir.
Fazendo uso da parábola, o autor divaga sobre as complexidades da experiência humana, do amor ao ódio, do corpo à alma, da amizade ao prazer, da morte à vida eterna.
The Wanderer (seu título original) reflecte o estilo inconfundível de Kahlil Gibran, que faz da sua escrita uma melodia harmoniosa: «não há necessidade de cessarmos o nosso canto para o conforto daqueles que têm de preencher forçosamente o seu vazio com barulho.» (p. 46)
Esta selecção de textos profundos, como ‘Lágrimas e Risos’, ‘A Pérola’, ‘O Filósofo e o Sapateiro’, ‘A Dançarina’ («a alma do filósofo reside na sua mente, a alma do poeta está no coração; a alma do cantor vive na sua voz» (p. 36)), apresentam a faceta mais humana do autor de O Profeta, reconhecido como um livro-culto no mundo inteiro. 
Ao longo destas páginas de O Vagabundo, é-nos salientado a importância de nos libertarmos dos limites da lógica e ensina-nos a pensar com o coração. Ontem, hoje e amanhã, os livros deste poeta, um dos mestres espirituais mais inspiradores de sempre, permaneceram no tempo como sendo inspiradores e relevantes para quem quiser elevar a sua espiritualidade. O Mensageiro (Livros de Vida Editores, 2003) é uma outra sugestão de leitura para o leitor que se identificar com a mensagem que vem incorporada nas páginas de O Vagabundo, que encontra-se também enriquecida com uma biografia e com ilustrações de Kahlil, que além de poeta era um exímio pintor.

Excerto:
“Disse uma árvore para um homem: «As minhas raízes estão na mais profunda terra vermelha e eu dar-te-ei do meu fruto.»
E o homem disse à árvore: «Como somos parecidos. As minhas raízes também estão na terra. E a terra vermelha dá-te o poder de me concederes o teu fruto, e a terra vermelha ensina-me a recebê-lo de ti com gratidão.»” (p. 57)


1 comentário:

Silvia Reis disse...

Já li textos deste autor mas nunca tive curiosidade em ler um livro completo. Este parece interessante e bom para uma primeira viagem. Obrigada pela partilha!