sexta-feira, 23 de maio de 2014

«A Carta Roubada», de Edgar Allan Poe

Ano de Publicação: 2008
N.º de Páginas: 140

Publicada em 1841, Os Crimes da Rua Morgue é considerado por muitos como a primeira obra policial escrita. Nela, Edgar Allan Poe deu a conhecer aos leitores o detective C. Auguste Dupin, um indivíduo solitário e de aguçada inteligência, sendo por alguns críticos considerado o precursor do famosíssimo Sherlock Holmes. No ano seguinte Poe publicou a segunda sequela da série policial, O Mistério de Marie Rogêt, e em 1844 deu por concluída a trilogia protagonizada por Dupin, e intitulou esse conto A Carta Roubada (The Purloined Letter no original). Neste conto — o primeiro de cinco que se encontra compilado neste livro, o n.º 8 da colecção dirigida por Jorge Luis Borges —, cuja acção ocorre em Paris durante o séc. XIX, Dupin é chamado para investigar um alegado roubo de uma carta. O narrador do conto mora com o detective Dupin, e é pela sua voz que vamos conhecendo, paulatinamente, todas as circunstâncias que a investigação toma. A Carta Roubada é a primeira e única narrativa deste livro que não se insere no género fantástico. A Verdade Sobre o Caso de M. Valdemat, Manuscrito Encontrado Numa Garrafa e O Homem da Multidão são os contos seguintes apresentados, que revelam histórias sobre várias maneiras possíveis que o ser humano, quando encontra-se perante adversidades, escolhe para estar no mundo. São contos cujos protagonistas sentem uma fascinante atracção por experimentar os mais horripilantes dos sentimentos.
«Ficara extenuado… às portas da morte por aquela prolongada agonia, e quando finalmente me desamarraram e me autorizaram a sentar, senti-me a desfalecer.» — este é o início do último conto: O Poço e o Pêndulo, sobre o qual Jorge Luis Borges em nota introdutória escreve: «já me esqueci das vezes que (…) o li, reli ou pedi que mo lessem; sei que ainda não cheguei à última vez e que voltarei ainda à prisão quadrangular que se vai comprimindo e ao abismo sem fundo.» O desenrolar da história passa-se em Toledo, na Espanha, na época da Inquisição e o seu narrador é um homem preso num calabouço, que aguarda a sua execução iminente. Aí, ele conta a imensa tortura física e psicológica por que passa. Os danos físicos que os objectos de tortura (que dão título ao conto) podem resultar no seu corpo são detalhadamente dados a conhecer ao leitor pela pena de tinta vermelha de Edgar Allan Poe (1809-1849). Este conto foi adaptado para cinema em 1961 e em 1991, mas ambos, segundo a crítica, não seguem fielmente e macabramente o conto, do autor de Eureka.
A Carta Roubada é uma excelente compilação de textos curtos que levantam muito suspense a quem os lê.

3 comentários:

Arduinna disse...

Sou um grande fã de toda a obra do Edgar Allan Poe! Ainda não tive oportunidade de ler este policial, mas terá de ser para breve :)

Avó Madalena disse...

Adorava ler este

Aiko89 disse...

Um dos meus autores preferidos :)