domingo, 8 de junho de 2014

«Sou Um Clandestino», de Susanna Tamaro

Data Publicação: 20/05/2014
N.º de Páginas: 128

Em Maio de 1982 Susanna Tamaro terminara de escrever Illmitz, o seu primeiro livro. A obra foi rejeitada por várias editoras italianas nessa altura, mas a escritora então com vinte e cinco anos continuou a escrever outras histórias. Só em 1989 é que viu um livro seu ser publicado: La testa tra le nuvole (Com a Cabeça nas Nuvens). A partir daí a autora ganhou nome no mercado editorial italiano, mas apenas com o romance Vai Aonde te Leva o Coração, o livro italiano de maior sucesso do século XX, é que a sua reputação ganhou reconhecimento internacional. Talvez tenha sido após a publicação, em 2013, de Todo o Anjo é Terrível, sua autobiografia, que Tamaro tenha encontrado a motivação para dar a conhecer aos seus fiéis leitores a sua obra de estreia na literatura, inédita até 29 de Janeiro deste ano. Sou Um Clandestino é o título da tradução portuguesa de Illmitz, que a Editorial Presença acaba de publicar.
«O autocarro partiu há meia hora», diz-nos o narrador, que também é o protagonista, logo no arrancar desta história. O jovem de vinte e cinco anos parte de Roma e conta-nos o início da viagem física, mas também espiritual, com destino à aldeia austríaca de Illmitz (que existe realmente). A sua jornada tem como fim a descoberta das suas raízes familiares, mas também para pôr um fim às preocupações que o assolam diariamente, como o sentimento de morte que acompanha-o desde sempre. Por não se sentir ancorado a quem quer que fosse, o protagonista (sem nome) sentia que a vida lhe fugia das mãos. Com o rolar da história, ao mesmo tempo que a jornada do jovem ganha contornos e simbolismos mais densos, somos informados sobre outras personagens que habitaram e deixaram marcas indeléveis na vida do narrador: a mãe, a irmã, a namorada e o melhor amigo de infância. «Estou, portanto, sozinho, em parte por vontade, em parte por acaso.»
Um romance essencialmente metafórico, estruturado de forma simples, sem muito rigor estilístico, explora de forma pungente os danos irreversíveis ao nível da psique que acontecimentos traumáticos ocorridos na infância podem perfazer e perpetuar no presente dos indivíduos (há algumas parecenças com o romance A Alma do Mundo). Em Sou Um Clandestino a presença de temas centrais habitués na obra da autora é notória: o mal-estar existencial do ser humano, a ansiedade perante a perda de algo ou alguém, a solidão do ser que é diferente, os traumas da infância, a relação com a natureza, etc. Os capítulos que contêm flashbacks poderiam ter sido melhorados ou mesmo evitados; não ajudam a uma boa compreensão da história.

6 comentários:

Pedro Oliveira disse...

Somos todos clandestinos neste mundo. Todos temos que encontrar o nosso caminho.

Manuela Santos disse...

Por ser um clandestino, não quer dizer que se ande escondido! Por vezes a vida não é o que parece, temos de ir à procura do nosso "Eu" sozinhos ou acompanhados, depende da ocasião.

Sara Machado disse...

Achei o livro "Vai onde te leva o coração" desta autora um livro marcante. Acho que também iria gostar deste.

Bárbara Moura disse...

Já tinha lido a sinopse e fiquei intrigada, mas não o suficiente para ler o livro. Não percebi pela crítica se achou o livro bom no seu todo, se foi uma leitura que lhe acrescentou algo ou se a técnica menos apurada retira muito à história... Talvez lhe dê uma oportunidade.

Rita Parauta disse...

Foi das primeiras escritoras que li e gostei, ainda muito nova.. Li o livro 'Vai onde te leva o coração' e até hoje recordo a leitura desse livro.
Estou muito ansiosa por ler este também. Gostei muito da descrição.

celina disse...

Li Vai Aonde te Leva o Coração há muitos anos, numa manhã. Se este me prender assim, concerteza irei gostar!