sábado, 23 de agosto de 2014

«O Livro dos Espíritos», de Allan Kardec

Editora: Nascente
Data Publicação: 17/07/2014
N.º de Páginas: 448

A primeira edição de O Livro dos Espíritos foi publicada em Paris, em 1857, e causou enorme celeuma na população em geral e, mais especificamente, no seio da Igreja Católica; motivo pelo qual em 1864 a obra foi censurada e incluída no Index Librorum Prohibitorum — o catálogo dos livros cuja leitura era proibida. Durante mais de cem anos (até 1966) este foi um livro vedado aos fiéis seguidores da Igreja. Por que razão? Qual o conteúdo de teor tão profano que terá suscitado a incredulidade e desprezo por parte da cúria romana?
Segundo o autor deste livro, Hippolyte Léon Denizard Rivail (1804-1869), que usou o pseudónimo Allan Kardec, o Espiritismo há de ter existido desde a origem dos tempos e na nossa vida experimentamos com frequência contactos não-corpóreos, mas somos incapazes de os reconhecer quando acontecem. Os princípios básicos da Doutrina Espírita foram fruto dos estudos de Kardec sobre os fenómenos sobrenaturais das «danças das mesas» ou «mesas falantes», que no início do século XIX foram difundidos por todo o continente europeu. Desde muito cedo susceptível para os acontecimentos ditos do mundo não-visível, o pedagogo francês durante dois anos questionou directamente os Espíritos Puros (existe um rol variado de Espíritos), e eles responderam às suas questões. Assim nasce o Espiritismo.
O livro está dividido por quatro partes, sem contar com a introdução que cobre as primeiras 50 páginas, onde Allan resume os pontos fulcrais da doutrina — que é o oposto do materialismo, que alia ciência, filosofia e religião — e esclarece que os Espíritos manifestam-se espontaneamente ou mediante evocação, através de comunicações ocultas e comunicações ostensivas. Informa também aos leitores que «o mérito que apresenta [esta obra] cabe todo aos Espíritos que a ditaram.» Ao todo são 1018 perguntas e respostas proferidas por diversos Espíritos. De referir que a primeira edição da obra tinha apenas 501 questões formuladas somente por Allan Kardec aos Espíritos; para a segunda edição, após manter contacto com grupos espíritas europeus e americanos, o autor apensou outras 517 perguntas realizadas em sessões por outros médiuns, perfazendo assim o total de 1018 itens. Uma pergunta feita pelos intermediários espíritas, uma resposta dada pelos Espíritos e, pontualmente, uma breve nota explicativa aditada pelo autor sobre o assunto abordado em cada questão, assim está organizado o livro.
Em apenas um parágrafo eis um espremido resumo sobre as quatro partes: na primeira, a pergunta número um só podia ser “Que é Deus?”, visto que os quatro capítulos que compõem a Parte I abordam a Causa das Coisas; sobre espíritos e seus graus de elevação, reencarnação, alma, anjos e demónios, aborto, etc., é abordado na segunda secção do livro, onde é feita a identificação das três categorias ou graus dos “seres do mundo invisível”, «Espíritos Imperfeitos», «Bons Espíritos» e «Espíritos Puros», e é também nesta Parte II que vem escrito que «Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes» e que «todos se tornarão perfeitos»; o casamento, a riqueza e miséria são temas, entre outros tantos, a que os Espíritos respondem de forma simples, concisa e objectiva, às perguntas a eles dirigidas e encontradas das páginas 281 a 384; na Parte IV os Espíritos elucidam e dão o seu feedback a assuntos como a decepção, a ingratidão («os amigos ingratos que o abandonam não são dignos da sua amizade»), a pobreza («a riqueza é, em geral, uma prova mais perigosa do que a miséria.»), a eutanásia, o paraíso e inferno, e a temas do foro post-mortem.
Em O Livro dos Espíritos pode o leitor leigo ou sensível encontrar questões que sempre fizeram para si mesmos e que nunca tiveram resposta. A leitura deste livro poderá abrir novos caminhos de pensamento e romper com padrões e crenças enraizadas sobre diversos temas. Impacto na forma como compreendemos e aceitamos os acontecimentos bons e desagradáveis que nos ocorrem no mundo térreo, poderá ter a leitura deste livro tão actual como há 150 anos.
Esta obra que contém 448 páginas, O Livro dos Espíritos, foi traduzida para português pelo escritor e espírita brasileiro Luiz Olímpio Guillon Ribeiro (1875-1943), em 1920, tendo como base a edição original em francês (Le Livre des Espirits), e para a presente edição da Nascente Tiago Marques foi o profissional que trabalhou na revisão da obra. De salientar que esta edição é isenta de qualquer tipo de falhas linguísticas, sintáxicas, de composição e de organização. Esperemos que o próximo livro de Allan Kardec que a editora publicará brevemente, O Livro dos Médiuns, continue com todo este brio e dedicação editorial.


Excertos

«Podem evocar-se todos os Espíritos: tanto os que animaram homens obscuros como os das personagens mais ilustres, seja qual for a época em que tenham vivido; os dos nossos parentes, amigos ou inimigos, e obter-se deles, por comunicações escritas ou verbais, conselhos, informações sobre a situação em que se encontram no Além, sobre o que pensam a nosso respeito, assim como as revelações que lhes sejam permitidas fazer-nos.» (p. 24)

«1. Que é Deus?
Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.”» (p. 53)

«244. Os Espíritos veem Deus?
Só os Espíritos superiores O veem e compreendem. (…)”» (p. 153)

«344. Em que momento a alma se une ao corpo?
A união começa na conceção, mas só se completa por ocasião do nascimento. (…)”» (p. 185)

«477. As fórmulas do exorcismo têm alguma eficácia sobre os maus Espíritos?
Não. Estes últimos riem-se e obstinam-se quando veem alguém levar isso a sério.”» (p. 218)

«893. Qual é a mais meritória de todas as virtudes?
Toda a virtude tem o seu mérito próprio, porque todas indicam progresso na senda do bem. Há virtude sempre que há resistência voluntária ao arrastamento dos maus pendores. A sublimidade virtude, porém, está no sacrifício do interesse pessoal, pelo bem do próximo, sem pensamento oculto. A mais meritória é a que assenta na mais desinteressada caridade.”» (p. 373)


14 comentários:

Dulce Russo disse...

Sou super interessada em livros relacionados com o espiritismo e este foi o meu primeiro livro nesta área. Bastante clarificante e esclarecedor, adorei.

Ana Santos disse...

Adoro livros deste género mas este ainda não o li. Será o próximo.

Tania Silva disse...

Parece-me um livro bastante interessante, gosto de temáticas religiosas e não sei quase nada do Espirita Kardecista. Estou a ponderar comprar!

Maribel Lourenço disse...

Um livro há muito na lista "a ler".

maria de lurdes martins disse...

Eu já tive a oportunidade de ler este livro e digo-vos que é o caminho para a verdade, para fé, para o esclarecimento. recomendo

Carlos Dinis disse...

Um tema muito interessante... Um livro que pretendo ler brevemente... ;) Adoro livros proibidos...

Rapperk disse...

Parece ser um livro interessante, gosto do tema do livro, sem dúvida que o irei ler :)

Bisnaga disse...

Um livro que já me foi recomendado, inclusivamente pelo meu avô, o tema sempre me fascinou, está decididamente na lista de livros a ler :)

Unknown disse...

Parece interessante!

Ass: Artur Fernandes

Os Bolos da Inês disse...

Ao ler este excerto fiquei super curiosa! Será sem dúvida um dos próximos livros a descobrir. Estas questões fascinam-me e pela sabedoria de novas questões só podemos evoluir!

lady hélène disse...

Sou uma céptica, mas tenho interesse em ler este livro, que mais não seja pelo papel que terá representado na história da espiritualidade. :)

Susana Costa disse...

Gosto muito dos livros deste autor. Tem uma escrita muito fluída, retrata os acontecimentos relacionados com o tema de uma forma muito clara.

lilianafernandes92 disse...

Um tema que dá e continuará a dar sempre "pano pra mangas"

Moureco disse...

Um livro fascinante que nos abre os olhos para outro mundo e para olhar 'este' mundo com outros olhos! Já li, recomendo vivamente!