quinta-feira, 19 de novembro de 2015

«A Morte de Um Apicultor», de Lars Gustafsson

Editora: Marcador
Data de Publicação: 08/10/2015
N.º de Páginas: 192

En Biodlares Död, romance publicado em 1978 que deu o reconhecimento internacional ao escritor sueco Lars Gustafsson (n. 1936), tem como protagonista um homem de quarenta anos. Lars Lennart Westin é um ex-professor primário pré-reformado, que após se ter divorciado leva uma vida frugal e solitária, numa pequena quinta na Suécia. As suas únicas companhias são o seu cão e as abelhas que cria e que lhe sustentam.
Lars está a morrer de cancro mas ele não sabe disso, porque não quis abrir as cartas que o Hospital lhe enviou («Se abrir esta carta, pensei, o que irá mudar em mim?»), a dar conta do resultado das análises que ele foi lá fazer («Se esta carta contém a minha morte, recuso-a. Não devemos querer nada com a morte.»). Este homem misantropo não precisa de ler o diagnóstico da sua doença terminal, pois o seu corpo e alma falam, são como que um presságio, um alerta de que o fim está próximo.
Aquilo que o leitor tem acesso são o conteúdo de três cadernos de apontamentos («caderno azul», «caderno amarelo» e «caderno rasgado») que Lars deixou escrito nos últimos cinco anos da sua vida, entre 1970 e 1975. Essas notas intimistas evocam a sua infância, tempos de estudante, o seu casamento falhado e as poucas amizades que fez. No fundo, esses manuscritos são a súmula da sua trajectória pela vida, a de um homem em busca constante de um sentido que lhe desse força motriz para viver em plenitude, mesmo tendo a solidão como a sua única companhia.
Tal como o mundo das abelhas, o do protagonista desta história sempre se regeu tendo como base os instintos, a liberdade e a perseverança. «Recomeçamos. Não nos rendemos» é o mote que o apicultor utiliza no término das suas notas, mesmo nas últimas que escreveu dias antes da sua morte: «a vida que levo agora é a verdadeira vida.»
A Morte de Um Apicultor é um livro onde Gustafsson, um dos maiores escritores suecos contemporâneos, vencedor de várias dezenas de prémios literários, como o Prémio Thomas Mann 2015, prova ser um contador de histórias com grande sensibilidade para esmiuçar assuntos que provocam sentimentos de dor e tristeza nos homens, como o isolamento social ou a amizade e amor dilacerados.
Bendita hora em que a Editora Marcador fez ressurgir A Morte de Um Apicultor nas livrarias portuguesas, obra que há muito encontrava-se esgotada, tal como outras de Lars Gustafsson que foram publicadas pelas Edições Asa e que estão indisponíveis, como A Tarde de um Ladrilhador (1994), História com Cão (1996) e A Amante Colombiana (2001).


Excerto
«Quando deixamos por instantes o subconsciente à solta, ele começa naturalmente a criar enredos. Cria uma identidade, adapta-se ao meio, inventa novas formas para preencher o vazio que entretanto se faz quando esquecemos a nossa vida imediata.» (p. 45)

11 comentários:

André Silva disse...

Muito bom.

macy disse...

Tenho este em wishlist desde que a Marcador o reeditou!!
E gostei da tua opinião! Confirmou o que esperava do livro!
Abraço
Teresa Carvalho

Sílvia Caseiro disse...

Adorava ler este livro!

gmgm disse...

Muita curiosidade em ler este livro, na minha (tão extensa) lista.

Venâncio Sousa disse...

Certamente, uma das minhas próximas leituras!

Susana disse...

Quero este!

Teresa Gilvázio disse...

muito bom

Liliana Martins disse...

Nunca li, parece-me muito interessante. :-)

Maria Jose Santos disse...

Um livro para ler e pensar...Não posso perder!

Maria Jose Santos disse...

Um livro para ler e pensar...Não posso perder!


Nuno Magalhães Ribeiro disse...

Obrigado por esta resenha: sempre tive curiosidade em ler este livro e com esta opinião que aqui está tão bem descrita fiquei defitiviamente convencido a ler esta obra que estava esgotada há muitos anos e que agora volta a estar disponível pela Editora Marcador.