segunda-feira, 10 de junho de 2013

«Conversas de Escritores», de José Rodrigues dos Santos

Editora: Gradiva
Ano de Publicação: 2010
Nº de Páginas: 256
Normalmente é realizada a transposição livro-filme. Em Conversas de Escritores é o oposto: primeiro passou na televisão e só posteriormente para papel. Para quem não viu a série de programas de entrevistas a escritores de literatura internacional contemporânea, que passou na RTP-N, em 2009 e da autoria de José Rodrigues dos Santos, este livro traz compilado algumas partes das entrevistas que o jornalista, autor de A Mão do Diabo, realizou, por exemplo a Isabel Allende, Ian McEwan e Dan Brown, do leque dos dez escritores.
Em 256 páginas não estão apenas as perguntas e respostas, mas também, e é o “bónus” deste livro, conversas de bastidores, que não foram para o ar, e que o autor nos conta em nota próloga em cada parte do livro reservada a cada autor, com muita descontracção e humor. Este livro, por vezes, assume o papel confidente, e o entrevistador revela aspectos do seu quotidiano enquanto escritor e jornalista.
As perguntas que o autor elaborou para os escritores entrevistados revelam um grande trabalho de pesquisa, concisão e rigor. Para cada escritor foi dado um tom específico na conversa, até porque o à vontade de comunicação diferiu de escritor para escritor, como conta José Rodrigues dos Santos. Por exemplo a entrevista com Paulo Coelho é muito diferente da que foi feita à escritora chilena Isabel Allende (uma das que mais gostei de ler; quase que Allende fez mais perguntas ao jornalista).
A entrevista central do livro é, inevitavelmente, a de José Saramago, a sua última grande entrevista oito meses antes de falecer, em que confessa o seu estado de ânimo: «A doença foi muito complicada (…) a certa altura já nem sabia onde estava nem a quantas andava. Nem sequer tinha consciência do que se passava. Foi realmente difícil.»
Questionado sobre como era o seu processo de escrita, o único Nobel de Literatura português disse: «(…) um romance meu, maior ou mais pequeno, no fundo cresce como uma árvore. Uma árvore, segundo a espécie a que pertence, tem um limite: chega a uma certa altura do crescimento e para, fica ali.»
Um livro que li com muito gosto. Um livro de quem e sobre quem escreve livros.

13 comentários:

São disse...

É uma espectáculo o livro! Aliás, os dois, porque saiu um em 2010 e o segundo em 2012. Mas acho que o primeiro é superior. Eu sou admiradora "ferrenha" do José Rodrigues dos Santos há muitos anos e isso torna-me um pouco suspeita, porque tneho ideias muito próximas às dele, mas adorei esse livro. Aliás, quando me quero distrair um bocadinho é nele que pego. O que eu me ri (e rio) em alguma passagens. A forma descontraída e inocente (no bom sentido) como ele relata os acontecimentos é incrível. Uma delícia. O atrevimento da Isabel Allende (ela é levada da breca) eheheh...A caneta do Jeffrey Arsher... As piadas do Dan Brown (e a descontração como ele as conta... se fosse outro não as contava... Embrulha Dan, ele está-se a lixar para as tuas piadas! Eheheh)... O chá na casa da Sveva Casati Mondignani é de morte... ele obriga-se a beber "água quente" só para ser como ele quer e não esperar que ganhe sabor... LOOL... ri tanto... é mesmo dele...
Reparei que ele fica triste quando os entrevistados lhe dão pouca conversa antes da entrevista, ele gosta de conversar (isso notou-se na entrevista ao Luis Spúlveda e, no segundo, ao Ken Follett...
Mas a conversa às vezes é demais, coitado... A entrevista ao Saramago é realmente emocionante, mas reparaste que a Florbela teve que vir buscar a Pilar senão ela não se calva e a entrevista nunca mais começava? (espanhóis...lool... começam a falar e nunca mais se calam!)... A ideia que me veio À cabeça foi "`Ó mulher, segura lá a velha, senão nunca mais consigo falar com o velho!" (pensei isto no bom sentido, claro :) ... E é engraçado porque ele não diz nada... A Florbela está lá atrás e percebe que ele está em apuros e vem "em auxílio" dele... Leva a Pilar para conversar com ela, para ele dar início à entrevista :) ... Espectacular!

Miguel Pestana disse...

Tenho conhecimento, sim, do segundo livro de entrevistas. Logo que tiver oportunidade vou comprar.

JRS é um entrevistador exímio, sem dúvida 8e um escritor inteligente).

São disse...

Sim, é :) ... Eu gosto muito do trabalho dele. Mas acho este primeiro livro superior. Acho que tem coisas mais engraçadas. Mas no segundo acontece uma coisa engraçada: houve dois escritores que não autorizaram a publicação de entrevista em livro (Amin Molouf e não me recordo quem é o outro). Autorizaram para a tv, mas não para livro... Mas ele disse qualquer coisa como "Nada me impede de falar sobre as minhas impressões" ou uma coisa assim, ao estilo de quem dizx "Não me pediste segredo sobre a conversa informal dos bastidores, portanto..."... Só ele! LOOOL... Eu acho uma delícia este livros :) ... A forma espontânea como ele conta as coisas é demais...

André Silva disse...

Qualquer livro de José Rodrigues dos Santos é interessante. Este de certeza, não foge à regra.

André Silva disse...

Todos os livros de José Rodrigues dos Santos são interessantes, este certamente não foge à regra.

NC disse...

José Rodrigues dos Santos é um excelente autor. Penso que li todos ou quase todos os livros que publicou, inclusive tenho um autografado pelo próprio. Aconselho vivamente.

Sara Amaral disse...

A parte das conversas de bastidores agrada-me bastante.

Para além de que, José Rodrigues dos Santos, é um dos meus escritores favoritos, se não mesmo o favorito!

São disse...

Eu de vez em quando vou reler parte dos livros :) ... No meu caso, é mesmo o meu escritor favorito. Já era admiradora dele como jornalista e quando começou a escreve passei a admirá-lo mais ainda. Gosto da forma espontânea e natural como ele fala e identifico-me quase a 100% com as ideias dele. São muito próximas às minhas.
Mas este livro é diferente :) ... Ou melhor, os dois... Mas nem por serem diferentes são inferiores aos romances... Sempre que releio partes dos livros fico com uma boa disposição incrível pela naturalidade dele, sinceramente :).
Ele é muito natural, muito espontâneo. E tem uma forma inocente (no bom sentido) de contar as conversas de bastidores... Um espectáculo! Adorei! Adoro, porque estou sempre a reler :)

Carlos Dinis disse...

Para não variar este escritor presenteia-nos com mais um grande livro. Interessante, de fácil leitura e bem escrito. Parabéns!

AndreiaS disse...

Muitoooo curiosa!

Beijinhos

DanielaMP disse...

Grande escritor!
Adoro todas as suas obras do início ao fim!

São disse...

Sim, eu também adoro todas as obras. Aliás, tenho uma forte admiração pelo autor, tanto enquanto jornalista como enquanto escritor. Identifico-me imenso com as ideias dele. Vários dos meus amigos já leram todos ou pelo menos alguns dos seus romances, mas em relação a estes dois de "Conversas de Escritores" não conheço assim ninguém que os tenha lido e tenho pena de não ter ninguém com quem falar sobre eles, pois acho fantásticos, muito agradáveis e mostram muito sobre a personalidade do autor, da pessoa :)

Marta Vieira disse...

Gosto muito da escrita do José Rodrigues dos Santos, é um bom escritor.