segunda-feira, 3 de março de 2014

«De Olhos Fixos no Sol», de Irvin D. Yalom

Ano de Publicação: 2008
N.º de Páginas: 240

Nas primeiras páginas de De Olhos Fixos no Sol, um ensaio baseado na larga experiência clínica de Yalom (escrito quando tinha o autor tinha 75 anos), o psiquiatra diz que a ansiedade de morte raramente é tida em conta no decurso de uma psicoterapia. Defende a necessidade de, desde muito cedo, os educadores introduzirem a temática da morte no discurso familiar, social e, mais concretamente, nas práticas educativas. Só desta forma nos tornaremos capazes de encarar a morte com mais naturalidade e serenidade, pois na sociedade ocidental contemporânea a morte e o processo de morrer ainda constituem um assunto tabu, revela.
O livro está dividido em sete partes e tem como foco central definir as causas da ansiedade de morte que muitas pessoas sentem, devido a experiências traumáticas várias, como o aparecimento de uma doença grave, um divórcio, o desemprego, a reforma, a morte de um ente querido, um sonho, etc. Relatando o seu modus operandi em suas terapias com pacientes que sofriam de ansiedade da morte, o Dr. Irvin D. Yalom, num estilo simples, directo e cativante, transpõe para o papel histórias reais complexas, na maioria com finais clínicos satisfatórios, como a de Júlia, cuja morte de uma amiga próxima despoletou-lhe recordações há muito guardadas no seu inconsciente. «Experiências do despertar» e fenómenos de rippling («O rippling modera a dor da transiência, ao relembrar que há sempre alguma coisa de cada um de nós que perdura, mesmo que nos passe despercebida.» p. 82) são dois dos temas desenvolvidos pelo autor de A Psicologia do Amor (ensaio) onde revela que a ansiedade de morte vai e vem ao longo do ciclo da vida. Epicuro, Tolstói, Schopenhauer e Freud são alguns dos nomes que Yalom cita neste ensaio onde escreve que «nunca conseguimos dominar por completo a nossa ansiedade de morte — ela está sempre lá, disfarçada num canto escuro do nosso cérebro.» O capítulo 7 contém instruções destinadas especialmente a terapeutas, mas tidas como válidas para o leitor leigo. É nas últimas páginas do último capítulo que Yalom confessa ser um pré-requisito para a eficácia de qualquer terapia uma aliança baseada na confiança entre terapeuta-paciente. Porque o autor escolheu De Olhos Fixos no Sol para título deste livro: «Não é fácil viver cada momento absolutamente consciente da inevitabilidade da nossa morte. É como tentar olhar para o Sol e manter os olhos fixos», o confronto com a morte «se assemelha a olhar para o Sol», escreve o autor, e acrescenta que é algo «doloroso, difícil, mas necessário.»
De Olhos Fixos no Sol é uma obra ensaística profundamente pessoal, que oferece ao leitor uma súmula das experiências pessoais do autor, regadas com exemplos convincentes que revelam ser a tomada de consciência da mortalidade um catalisador profundamente útil para grandes mudanças na vida.


Excerto:
«Acho que devíamos enfrentar a morte como nos confrontamos com outros medos. Devíamos contemplar o nosso fim, familiarizar-nos com ele, dissecá-lo, analisá-lo, racionalizá-lo e eliminar as terríveis distorções criadas na infância relativamente à morte.» (p. 222)

6 comentários:

Fernando de Sousa Pereira disse...

Este livro deve ser interessante.Vai para a minha lista de livros a ler

Silvéria Miranda disse...

Um tema muito interessante, sem dúvida!

Inês Antunes de Caires disse...

Adoro este autor! Tenho de comprar!

Paty Lua disse...

Adorava ler o livro

elisabeth lopes disse...

Este eu vou ler :)

Sofia Barbosa disse...

Nunca tinha ouvido falar deste livro, nem conheço o autor mas estou cheia de vontade de o começar a ler!
A morte sempre foi um tema que me intrigou. Perdi ainda em tenra idade pessoas que me eram próximas e acabei sendo exposta a um estranho leque de crenças espirituais, religiosas e até cientificas sobre a morte.
A verdade é que não compreendi nada na altura e apesar do passar dos anos sinto que tenho cada vez mais questões e confesso que algum receio também...