segunda-feira, 9 de novembro de 2015

«O Amante Japonês», de Isabel Allende

Edição: Porto Editora
Data de Publicação: 29/10/2015
N.º de Páginas: 336

No 14.º livro da escritora chilena Isabel Allende a entrar no catálogo da Porto Editora são duas as histórias de amor que são contadas; uma entre uma polaca e um japonês, e outra, mais recente, entre uma moldava e um americano. Depois de uma incursão no género policial, com O Jogo de Ripper (Porto Editora, 2014), que dividiu os seus fiéis leitores, em O Amante Japonês Allende prova mais uma vez a sua exímia habilidade como contadora de histórias.
2013. A jovem e misteriosa Irina Bazili há três anos trabalha em Lark House, um lar de repouso para idosos, situado na costa leste da baía de São Francisco, no estado norte-americano da Califórnia. O seu passado é um assunto que lhe causa tortura emocional e é por essa razão que o oculta a uma utente do lar geriátrico, Alma Belasco, uma octogenária de índole pragmática e aparentemente insensível, que simpatiza com Irina e lhe contrata para lhe apoiar no seu apartamento, onde vive sozinha com um gato. Uma amizade improvável entre estas mulheres, uma de 26 e outra de 81 anos, acontece. Com a ajuda de Seth, o neto de Alma, Irina tenta descobrir a identidade do remetente misterioso que todas as semanas envia cartas à patroa. Ambos fazem uma viagem no tempo até 1939, ano em que Alma se apaixonou por um jardineiro japonês; ambos tinham apenas 8 anos. O ataque a Pearl Harbor, dois anos depois, podia ter separado para sempre a paixão que os unia. Mas ambos selaram a promessa de permanecerem unidos. É esta a história de amor e de amizade que Irina, uma jovem sofrida que não acredita no amor, irá desvendar. Ela chegará à conclusão que os traumas não desaparecem por o ignorarmos, «o que mais ajuda na desgraça (…)? Falar. Ninguém pode andar pelo mundo sozinho (...) a dor partilhada é mais suportável» (p. 208) e que o amor acontece mesmo para aqueles que ainda têm cicatrizes por sarar.
Através da narração de duas histórias paralelas e das suas surpreendentes reviravoltas, Isabel Allende tece um comovedor romance sobre a invencibilidade do amor e o poder da resiliência, de superar qualquer trauma recorrendo ao único sentimento capaz de o curar. Ao juntar na obra duas culturas tão diferentes como a Ocidental e Oriental, a autora de Paula (Porto Editora, 2013) refuta o estereótipo de que o amor não pode acontecer entre pessoas de raça, classe social, cultura e de religiões diferentes. Abordando temas complexos que não deixam ninguém indiferente, como o Holocausto, os campos de concentração nos Estados Unidos para japoneses, a Sida, a Síndroma de Down, o incesto ou a pedofilia, a escritora que já vendeu mais de 65 milhões de livros em todo o mundo deixa o leitor agarrado às 336 páginas que compõem o livro.
O Amante Japonês revela, e é apanágio da autora, uma cuidadosa atenção e sensibilidade no uso de vocabulário requintado e sintaxes bem delineadas (algumas frases merecem serem sublinhadas para leituras posteriores, como as que se encontram no final desta resenha). Em resumo: uma obra que está muito perto dos primeiros trabalhos de Isabell Allende e que recomenda-se.


Excertos
«a idade por si só não faz ninguém melhor nem mais sábio, simplesmente evidencia aquilo que as pessoas sempre foram.» (p. 22)

«Em todas as idades é necessário um propósito na vida. É a melhor cura para muitos males.» (p. 77)

«Há muita gente boa (…), mas é discreta. Os maus, pelo contrário, fazem muito barulho, por isso dão mais nas vistas.» (p. 116)

«Todos temos demónios nos recantos mais escuros da alma, mas se os trazemos à luz, os demónios mirram, enfraquecem, calam-se e por fim deixam-nos em paz.» (p. 208)

Primeiras páginas do livro disponíveis para leitura imediata, aqui.
Esta é a página oficial de Isabel Allende no Facebook.


9 comentários:

Turista disse...

Uma das minhas próximas leituras. Já está na lista de espera. :)
Manuela Colaço

maekika disse...

Adoro esta autora mas ainda não li este livro. Já o pus na lista do Pai Natal...

Nocas disse...

Uma das minhas escritoras favoritas. :)

Joana Almeida disse...

Gostei muito deste livro, acho muito interessante, está na minha lista :)

Gostei muito da opinião, obrigada pela partilha :)

beijinho*

Isabel cristina Azevedo disse...

Há muito tempo que não leio nada desta autora que tanto gosto. Quem sabe será este livro o próximo, já que ao ver este post me deu vontade de ler este livro.

Rita Costa disse...

Próxima aquisição!

lady hélène disse...

Já li e gostei muito! :)

Carla disse...

Mais um livrinho de Isalbel Allende, que bom!

Fátima Martinho disse...

Ainda não li, mas estava na minha lista de próximas leituras.